Minha história com as Sandálias Havaianas

Olá, meus queridos, tudo bem?
Hoje, 1º de janeiro de 2026, resolvi escrever um texto sobre as sandálias Havaianas.
Na verdade, não é uma história das Havaianas, mas sim uma história da minha vida:
Da adolescência, juventude e dos dias de hoje, aos 63 anos, que ainda não sei como chamar esse momento que estou vivendo — se é maturidade, terceira idade ou, por incrível que pareça, sabedoria ou velhice.
Vamos lá, tudo começa no início dos anos 70, quando cheguei em São Paulo e morava na Rua9, no bairro do Ferreira — hoje Jardim Monte Kemel —, com minha família e meus queridos amigos de infância, que estão comigo até os dias de hoje.
As primeiras lembranças que tenho das sandálias Havaianas são dos comerciais que o humorista Chico Anysio fazia no início dos anos 80, sempre cheios de graça e muito humor. É bom lembrar que, naquela época, as sandálias Havaianas não eram essa “Brastemp toda”.
Mas eram as únicas que não soltavam as tiras, segundo o Chico.
Acredito que nós meninos da Rua9, não temos boas lembranças das Havaianas, simplesmente porque, depois de vários chamados de nossas mães no final das tardes para irmos tomar banho e dormir, havia o fato de elas nos esperarem atrás da porta para nos dar boas chineladas nas nossas bundas. Mesmo assim, éramos felizes — e sabíamos disso.
O tempo foi passando e, graças aos maravilhosos comerciais criados e produzidos pelos nossos publicitários que estão entre os melhores do mundo, como esse idealizado recentemente com a talentosa Fernandinha Torres, pela turma da Agência “Galeria.ag”.
As Sandálias Havaianas foram virando a “Brastemp” que é hoje.
Tornaram-se famosas, cult e caras.
Aliás, também sou publicitário, me formei em Propaganda e Publicidade em 1987 e jornalismo em 1989 pela minha casa acadêmica e profissional que foi a Faculdade FIAM, onde por 25 anos fui professor universitário no curso de jornalismo na disciplina de telejornalismo.
E no meio do caminho fiz uma pós-graduação em Administração em Marketing Esportivo pela Universidade Gama Filho.
Em 1990, estive pela primeira vez na Europa, entrando por Lisboa, onde fui visitar meu querido sobrinho André Patrício Neto.
Em 1992, retornei a Lisboa e conheci Fernanda Eusébio, esposa dele.
Depois, em 1997, antes de viajar para Lisboa onde iria batizar sua filha Raquel, recebi um telefonema pedindo para levar uns pares de Havaianas.
Virou tradição: retornei em 2007, 2015 e 2018, sempre com Havaianas na mala, de diversos modelos e preços, para Fernanda e minha afilhada Raquel.
Fernanda merece as novas coleções, afinal, ela tem aturado meu querido sobrinho André Patrício Neto, que mora no meu coração e juntos moram na cidade de Chimoio, Moçambique — Meu sobrinho André, recentemente deixou de usar Havaianas no pé direito. Kkkk.
Lembro quando comecei em 1980 a jogar futebol de campo no time do Brasilzinho, que era um time de veteranos, eu, sendo o mais novo, comecei jogando no gol e depois passei a jogar de meia-esquerda, camisa 10.
Um tempo depois chegou, Zé Neguinho, que era um craque e melhor do que eu, assumiu a camisa 10.
O técnico me passou para jogar com a número 7 e, não sei por qual motivo, pedi para jogar com a número 12.
Camisa que usei em 1984/86 na Seleção do Unibanco, quando trabalhava de madrugada no CAU da Raposo Tavares, no Brasilzinho e depois no FASP, em Jundiaí, do querido amigo Reinaldo Duque.
Em agosto de 1992 usei o número 12 na criação da minha Agência: LZ12 Propaganda e Publicidade, sendo L de Lima e Z da Cristina Zanata, minha sócia na época. Desde então, trabalho produzindo, fazendo roteiros e dirigindo vídeos até os dias atuais.
Hoje, janeiro de 2026, estou curioso: será que a CBF vai cancelar a camisa 10 e a 7 do futebol brasileiro?
Afinal, a 10 é do meia-esquerda e a 7 do ponta-direita.
Quanta bobagem.
Bom, sempre disse, para quem me pergunta se sou de esquerda ou de direita, e respondo com convicção: SOU BRASILEIRO.
E vou dizer o motivo:
Em março de 1977, aos 15 anos de idade, comecei trabalhar no meu primeiro emprego registrado como office boy com o empresário Georges Gazale, numa de suas empresas, a GG, na antiga rua Coropes, em Pinheiros. Um tempo depois fui promovido e transferido para o restaurante L’Auberge, que ficava na Rua Pamplona, 1084 e que, anos depois, foi reaberto como Au’Liban, na Rua João Cachoeiro.
Ali, no L’Auberge, durante um bom tempo, diariamente por volta das 12h30 eu atendia um telefonema.
Do outro lado da linha, um senhor sempre carinhosamente me perguntava se eu estava bem, como estava minha família, a escola e se eu precisava de alguma coisa. Era uma conversa de poucos minutos, mas muito significativa para um garoto de 15 anos.
Do outro lado da linha estava o então Presidente da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo.
Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas sempre me tratou com muito carinho, e depois era o grande amigo do senhor Georges e assinou a Lei da Anistia em 1979, abrindo novamente a porta do Brasil para muitos empresários e políticos de esquerda e direito.
Anos depois, início de 2002, casualmente reencontrei o senhor Georges.
Uns dias depois ele me liga e pediu para ir a casa dele.
Nesse dia me contratou para realizar junto com sua filha a dona Yone, toda a identidade visual, logotipo, cardápio e divulgação do restaurante Au’Liban, que estava abrindo na Rua Jerônimo da Veiga.
Durante um período, passei a almoçar diariamente com ele e, em alguns momentos pelo menos uma vez por semana, sentávamos eu, ele e o então deputado federal Michel Temer, que anos depois foi presidente do Brasil, de 31 de agosto de 2016 a 1º de janeiro de 2019.
Eu e dona Yamena, mulher do sr. Georges, chegamos a pensar em escrever uma biografia sobre ele, “Georges Gazale, um libanês brasileiro”. Não deu tempo, Georges Gazale, morreu em 2005 e estive no velório que foi realizado na sua residência e me despedi do querido amigo.
Em abril de 1999, a convite do professor Roney Cesar Signorini, diretor da Faculdade FIAM, do professor Edevaldo Alves da Silva, presidente da FMU e Dr. Edson Miranda, diretor da Faculdade de Direito FMU, fui convidado para criar e dirigir um programa sobre “Direito”.
Assim sugeri o nome “Código de Honra” e em parceria com o IASP – Instituto dos Advogados de São Paulo foi criado o programa.
Dia 06 de maio de 1999 gravamos o primeiro programa no Estúdio da Faculdade FIAM, no Morumbi, com apresentação do jornalista Marco Antonio Sabino entrevistando o então Presidente do IASP, Dr. Rui Celso Reali Fragoso, que falou sobre a Reforma do Poder Judiciário.
Fiquei 22 anos na direção do Programa Código de Honra, foram mais de 600 entrevistas, que era veiculado na TV Justiça, onde tive o prazer de conhecer muitos profissionais operadores do Direito, além da maioria dos ministros do STF, em especial o Ministro Marco Aurélio de Mello, Francisco Rezek, Ministra Eliana Calmon, entre outros que sempre foram muito atenciosos comigo.
Trabalhei com os presidentes do IASP, Maria Odete Duque Bertasi e José Horácio Halfeld Ribeiro, dois grandes parceiros e amigos, e com Paulo Hamilton Siqueira Jr., diretor da Faculdade de Direito da FMU, além da querida amiga Helô Pinheiro, nossa eterna Garota de Ipanema, que durante um bom tempo foi nossa apresentadora e hoje é uma amiga do coração.
Na Direção do Programa Código de Honra, aprendi que a política e os políticos sempre passam — e espero que continuem passando pela minha vida e pela de todos nós. Posso afirmar que haverá bons e péssimos gestores, mas nós, brasileiros, estaremos sempre por aqui.
Antes que me esqueça, em 24 de julho de 2004 casei com Laura, minha aluna do curso de jornalismo da FIAM.
Em 22 de março de 2006 nasceu nossa filha Luísa Lima.
Laura trabalha com rede sociais e administra seu site: www.checkinsp.com.br
Nossa filha Luísa, estuda na AIC – Academia Internacional de Cinema.
Tenho certeza de que um dia Luísa chegara ao Oscar. Espero ainda estar por aqui.
De qualquer forma eu e Laura estamos felizes com as escolhas de nossa filha.
É isso aí, estou entrando 2026 com minhas sandálias Havaianas, sem trocadilhos ou pretensões políticas, com os dois pés.
Mas, se preferir, entre com o esquerdo ou com o direito — de qualquer forma, sempre será meu amigo.
SALVE 2026 – Delcilima,,