LEDA


Roselita Lima

Roselita Lima — ou simplesmente Leda — tinha cerca de 12 anos quando saiu do Riacho da Onça.
Guardava algumas lembranças de lá, mas passou praticamente toda a infância em São Paulo.
Nunca mais retornou ao Riacho. Estudou no Colégio Pedro Fonseca até a 8ª série.

Começou a trabalhar aos 21 anos nas lojas Eletro Radiobrás, em Pinheiros.
Em 1975, entrou no Palácio do Governo do Estado de São Paulo, onde permaneceu até se aposentar em 2017.

Leda optou por não se casar e preferiu morar e cuidar de todos nós.
Em 1990, consegui com ajuda financeira do meu socio e saudoso querido amigo Marinho Guzman, comprar uma casa e fomos morar no Jardim Nadir, onde passamos um período, apesar das enchentes na região.
Em 2006, devido as enchentes na região, vendi a casa e dei o dinheiro para a Leda comprar o apartamento onde foi morar com nossa mãe na Rua Jaracatiá, no Jardim Umarizal.
Naquele momento em comum acordo, quando ela passou a escritura em seu nome, acordamos que na ausência dela e da minha mãe o apartamento ficaria em juízo para minha filha Luísa Moura Lima.

Durante muitos anos, ainda trabalhando no Palacio e depois na aposentadoria, Leda viveu e cuidou da nossa mãe até o último momento.
Mas quando nossa mãe morreu, Leda em virtude da diabetes passou a precisar de cuidados.
No início, eu e minha querida sobrinha Rose estivemos diariamente em seu apartamento para medicá-la, alimentá-la e fazer companhia.
Porém, devido ao estágio avançado da doença, em janeiro de 2024 em comum acordo com ela, decidimos que fosse para uma casa de repouso na Vila Sônia, onde eu e Rose a visitamos semanalmente, levamos aos médicos e permanecemos presentes.

Em 12 de dezembro de 2025, me ligam da casa de repouso e a levei para o Hospital Servidor Público, onde foi constado uma situação complicada em consequência do avanço da Diabetes, por orientação médica foi encaminhada e internada no Hospital Personal que fica na região do Bresser que é um suporte do Servidor Público.
Desde aquele momento, eu e Rose continuamos diariamente nos revezando nas visitas ao Hospital Personal, dando a atenção necessária para minha querida irmã.
Dia 4 de fevereiro de 2026, me ligam do hospital às 17h e junto com Rose vamos ao Hospital Personal e recebemos a notícia que ela faleceu.
Leda foi enterrada no Cemitério Memorial Paulista no Embu dia 05 de fevereiro, cercada pelos amigos e a família.
Deixando muita saudade.

Minha irmã Leda foi o norte da nossa família durante muito tempo.
Apesar de termos nascido no mesmo dia — 30 de agosto — com nove anos de diferença, e sermos virginianos, somos completamente diferentes.
Ela sempre foi protetora, às vezes até demais. Cuidou de todos nós.
Foi minha grande incentivadora. Também dedicaria a ela um Oscar.
Sempre fomos muito próximos, e feliz pelo orgulho que ela tinha por mim.
Me ajudou a pagar meu primeiro ano da Faculdade FIAM.
Sempre me tratou como um filho, me ajudou nas decisões profissionais e na vida.
Tinha um carinho e cuidado com minha filha Luísa
o que me deixava muito feliz.
Continuamos muito próximos até o último minuto.


Roselita Lima (Leda)

Riacho da Onça – Bahia
30.08.1953
+ 05.02.2026