O AMIGO DO PRESIDENTE FIGUEIREDO


Georges Gazale

No início de 2020, aos 57 anos de idade aposentei. E o que isso tem a ver com o Sr. Georges Gazale?

Pois é, eu tinha 14 anos de idade quando fui alguns finais de semana ajudar meu cunhado Oswaldo que fazia um bico de jardineiro numa casa em frente ao Jockey Club. Era início de 1977 e naquele final de semana a dona da casa me viu e perguntou se eu não queria ir trabalhar na firma do marido dela.
Uns dias depois em 01 de março de 1977 comecei a trabalhar registrado na G.G. Indústria e Comércio Textil Ltda, do empresário Georges Gazale. Claro, a indicação foi da dona Yamena Gazale.
Assim, foi meu primeiro emprego registrado, apesar que eu já tinha trabalhado aos 11 anos entregando Leite Leco de madrugada em São Bernardo do Campos com meu amigo de sempre, Armando de Sá.
Então em novembro de 2019 completei 35 anos de contribuição, dei entrada na minha aposentadoria e me aposentei no início de 2020. kkk
Comecei a trabalhar na GG como office boy, 2 anos depois fui promovido e passei a trabalhar no Restaurante L’ Auberg do seu Georges que ficava na Rua Pamplona, 1084.
Foi no L’Auberg trabalhando com Yone Rabay Setaro, filha dele, que passei a ter contato diário com o seu Georges e ali ainda um adolescente comecei a aprender muitas e muitas coisas.
Apesar de ter somente 15 anos eu era o braço direito da dona Yone, fazia de tudo e aprendi um bocado. O seu Georges sempre gostou muito de mim e sempre me chamava para conversar e me apresentava para os seus amigos, todos empresários e com muito dinheiro.
O Restaurante L’Aulberg era o ponto de encontro dele com os amigos, e que amigos.
E o grande amigo dele naquele momento era o presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo, isso mesmo e diariamente por volta das 13h eu falava por telefone com ele, imagina, com 15 anos e o presidente me chamando de garoto e o seu Georges fazia questão de me chamar a mesa e me apresentar para os amigos. Ele era uma pessoa muito generosa e distribuía boas gorjetas para todos nós.
Sai do restaurante para fazer testes na Vila Belmiro e no Corinthians e tentar ser jogador de futebol. Apesar de todo o esforço e apelo do seu Georges e da dona Yone para que eu ficasse, resolvi sair.
Muitos anos depois, em 1987 quando eu estava fazendo o último ano do curso de Publicidade na FIAM, eu trabalhava no Unibanco e resolvi pedir as contas para fazer estágios em alguma agência de publicidade, mas precisa de dinheiro para continuar estudando, então liguei para o seu Georges e falei se ele poderia me ajudar a arrumar uma bolsa de estudo na FIAM, na época ele era muito amigo do professor Edevaldo Alves da Silva, dono da FMU/FIAM/FAAM.
Por telefone ele diz, não vou pedir nada para o Edevaldo, vem aqui na 25 de março que vou pagar a sua faculdade. E foi assim que completei o último ano de faculdade pago pelo seu George.
É bom dizer que fiz estágio na DPZ, CIA Paulista de Propaganda e na Artplan do Roberto Medina, que estava iniciando o projeto do Rock Rio. Logo que me formei em Publicidade fui ao escritório dele e mostrei meu diploma de publicitário e agradeci a ajuda que ele me deu.
Muitos anos depois em 2002 fiquei sabendo que o seu Georges sofreu um atentado, levando uns tiros quando saia do seu escritório nos jardins,
então resolvi visitá-lo.
Quando chego no escritório quem me atende é a Marina, fiel secretaria desde o tempo da GG, então ela me leva até a sala dele e me apresenta, num primeiro momento ele não lembra de mim, então eu falo que era aquele garoto que trabalhou no L’Auberg da Pamplona e saiu para jogar futebol.
Aí ele olha para mim e diz, eu não vi você jogar em num time.

Eu falei, pois é, não joguei em nenhum time profissional, mas me formei em publicidade. Então conversamos e disse que era publicitário, aí ele se levanta da mesa dele, pega um folder e fala, já que você é publicitário atualiza esse folheto e traz para mim na semana que vem, a Marina vai te passar as outras informações.

Bom, uma semana depois eu levei o folder para ele aprovar. (Ele estava importando as Balas Halter e o folder estava em inglês e tive que traduzir, fazer novas fotos e novo Lay out).

E assim voltei a ter contato com ele e produzir algumas peças para a Manteiga Star Light que ele também estava importando e a linha de pistache Au’ Liban que começou a vender.
Um tempo depois, no período da manhã ele me liga e diz, vem aqui na minha casa, preciso falar contigo. Imediatamente vou para a casa dele no Jockey Club, ali voltei ao ano de 1977 quando todos os dias pela manhã eu ia na casa dele para assinar uns cheques, e ele me atendia no quarto sempre com sua querida dona Yamena Gazale.

E desta vez não foi diferente, entro no quarto e ele estava com um neto e pede para sentar-se e diz, olha garoto, estou querendo abrir novamente o Restaurante Au’ Liban e gostaria que você cuidasse de toda a comunicação visual do restaurante, você pode?
Imagina!

Uns bons anos depois estou novamente trabalhando com a dona Yone e junto com ela participei de todo o processo de reforma, decoração, contratação e cardápio do novo Au’ Liban.

Neste momento tive a grata surpresa de conhecer e ficar amigo da outra filha do seu Georges, a Fernanda Gazale, pessoa querida que nos tornamos amigos e também tem um carinho especial pela minha mulher Laura que chama de minha loira e adora a Luísa.

O Restaurante foi montado onde era o escritório dele na Av. 9 de julho com a Rua João Cachoeira e como ele não andava muito bem de saúde mudou o escritório para um dos cômodos da gigantesca casa no Jockey, então praticamente todos os dias eu tomava café ou almoçava com ele na sua casa ou no Au’Liban.

E ali ele me contava muitas histórias, sempre com a presença da sua amiga e querida esposa Dona Yamena (a dona Yamena era uma cozinheira de primeira e me iniciou a apreciar as delícias da culinária Libanesa).

Ele fazia questão de me contar histórias, eu adorava, quem sabe um dia eu conto as histórias sobre o Silvio Santos, Amador Aguiar, João Saad, Lazaro Brandão, Presidente Figueiredo, Frank Sinatra, Casinos de Las Vegas e muitas outros.

Uma noite estava jantando na casa dele, eu, ele e a dona Yamena.

Ele diz, garoto você está comendo “mulukhie” um dos principais pratos que são oferecidos aos Reis Árabes. Então saiba, quando você for convidado para se sentar à mesa na casa de alguém é porque você é bem-vindo, e completou, você sabia que foi aqui nessa sala que o meu amigo Amador Aguiar (Presidente do Bradesco) passou os últimos dias da vida dele?

Essa história eu conto qualquer dia.

Assim que o restaurante foi inaugurado e mesmo debilitado ele ia almoçar por lá e várias vezes nos sentamos juntos a mesa com o Leopoldo Color, irmão do presidente Color e em outros momentos com o então Deputado Federal e depois Presidente da República Michel Temer.
No seu aniversário resolvi fazer um boneco de um livro e junto com a Dona Yamena escolhemos uma foto e mandei encadernar com uma página que escrevi e outras 200 páginas em branco com uma capa com a foto dele e o título ” Georges Gazale, um Libanês brasileiro” Adoraria ter escrito a biografia dele, infelizmente não deu tempo.

Na noite do réveillon de 2004 eu e Laura passamos na Av. Paulista, quando saímos de lá por volta da 1 hora da manhã fomos visitá-lo no Hospital São Luiz, ele estava sozinho no quarto, ficamos conversando com ele um bom tempo e tenho certeza de que ficou muito contente em nos ver.

Um tempo depois recebi um telefonema da Marina dizendo que o Sr. Georges havia falecido. Na mesma hora, eu e a Laura fomos até a casa dele no Jockey Clube onde foi realizado o velório e me despedi do querido amigo.

Continuei mantendo contato com a Dona Yamena, quando a Luísa nasceu fomos visitá-la e ela e Fernanda presentou a nossa filha com um lindo casaco.
Um tempo depois dona Yamena, faleceu e estive na missa de 7º dia.

As vezes falo por telefone com a dona Yone.

O Georginho virou amigo e fomos em família assistir à apresentação do Maestro João Carlos Martins no Teatro Santander e depois saímos para jantar algumas vezes. Fernanda Gazale já esteve na minha casa num café da manhã, as vezes nos encontramos para comer uma pizza na Pamplona ou jantar no Restaurante Almanara. Assim colocamos a conversa em dia.
Saudades do senhor Georges Gazale.