Família Fermino

Fatima Fermino

É com muito prazer que participo desta alegria que é escrever um pequeno relato sobre a nossa amizade da Rua9
Meu pai, senhor João, minha mãe, dona Hortência, eu e meu irmão, Zé, fomos morar na Rua9 em 1963.
Fiquei por lá até 1973, quando me casei, mudei de bairro e fui cuidar da minha família junto ao meu marido e meus filhos.
Não poderia deixar de lembrar quanto eu, o meu irmão Zezinho e os filhos dos nossos vizinhos nos divertíamos.
A dona Elizia e seus filhos, Altamiro, Patrício, Joãozinho, Pina, Lourdinha, Leda, Zé e o Delcinho; os da dona Nildete e do senhor Rolando, Rosana e o Roberto os filhos da minha vizinha de muro, a dona Ruth, com os meninos, Júnior, Rubinho, Luís e o Chiquinho; a dona Delza e o sr. Eugênio, Ricardo, Marco e o Carlinhos; o Fausto, Armando e Toninho, filhos da dona Donatila e do senhor Agostinho, meus vizinhos de frente; a dona Alice e o senhor José, com as filhas Filomena e Rita; a dona Maria do seu Sildo, com o Sabão, Chicão e Marcio; a Vera, filha da dona Linda; a dona Lucia do senhor José e a filha Maria Helena, todos eram mais do que vizinhos, eram amigos.
E ainda os sobrinhos da dona Elizia, o Dão, o Tide, o Zezito, a Lucinha, a Deja, e muitos outros, ficávamos nos divertindo nas festas realizadas em plena rua9 ou na casa dela quando fazia canjica e arroz-doce. Era uma alegria.
Eu e a Leda sempre fomos amigas e estudamos no Pedro Fonseca, e nos divertimos muito nesse período.
Nessa época, o Delci Lima ou melhor o Delcinho era criança.
Com o passar do tempo, nos casamos, mudamos de bairro e seguimos nossas vidas.
Mas a saudade da Rua9 ficou em nossas lembranças, afinal ali vivemos muitas alegrias.

José Carlos Firmino – Zé da dona Hortencia

Aqui estou, o Zé Carlos, mas sempre fui e ainda sou conhecido como o Zé da dona Hortência.
Um dos eventos que eu mais lembro da minha infância foi ano de 1970, eu tinha 13 anos e a Copa do Mundo no México foi um momento marcante, lembro que ficávamos ouvindo nos radinhos de pilha ou assistindo a algumas partidas da seleção nas poucas televisões que existiam nos vizinhos e, quando a Seleção Brasileira venceu na final a Itália por 4×1 e trouxe pela terceira vez o caneco para o Brasil, a folia e a explosão transformaram a Rua9 numa festa total.
Recordo quando saí do Colégio Pedro Fonseca, onde existia somente o curso primário para ir estudar no Ginásio Estadual do Jardim Jussara, que ficava atrás da antiga Chácara do Bambu. Esta época foi uma novidade para mim, no Fonseca a classe era formada somente por meninos, já no Jussara a sala era formada com meninos e meninas e todos aproximadamente na mesma faixa de idade, o que me deixou muito empolgado no início da minha juventude.
Nesse período, eu já trabalhava de manhã e estudava à tarde. Depois, no ano seguinte, passei para o horário da noite para poder trabalhar de dia. Lembro que foi no Jussara que conheci o Edson e o irmão dele, que moravam próximo à Rua9. Com o passar do tempo, o Edson começou a frequentar a rua e apresentei o meu amigo de escola para a Marlene, filha da dona Pedrina. Um tempo depois, eles começaram a namorar e casaram. Hoje eles moram juntos na Rua 7.
Lembro também que no terreno ao lado da minha casa, lá pelo início dos anos 70, colocaram um jipe velho e, um tempo depois, uma carroceria de caminhão e durante muito tempo me diverti com os demais amigos da rua, transformando, em nossa imaginação, as sucatas na USS Enterprise do filme “Jornada nas Estrelas”, éramos crianças e nos divertíamos bastante.
Com o passar dos anos e chegando à juventude, as diversões eram outras, como as festas na rua e os bailes organizados pelo Altamiro na casa da mãe dele, a dona Elizia. Ali começam a surgir as nossas primeiras paixões, algumas se tornaram reais e outras puramente desejo.
Em determinado momento, eu e o Delço, filho da dona Elizia, fomos no meu fusquinha com duas amigas da rua nos divertir nos salões que promoviam bailinhos nas noites de sábado na cidade do Embu, dentre eles, a famosa 555. Também com Delço, no ano de 1981, fomos fazer uma entrevista de emprego no Unibanco da Raposo Tavares, nós dois fomos contratados, eu fiquei somente um mês, já o Delço trabalhou no período da madrugada por quase seis anos.
Me diverti muito nos bailes de formatura no final dos anos 70, onde junto do Zé, irmão da Leda e do Júnior, filho da dona Ruth, tivemos muitas histórias nos salões em Interlagos ou em Pinheiros. E também nos passeios no meu fusquinha vermelho pela famosa e agitada Rua Augusta e nos rachas na USP.
Mas, a partir dos anos 80, os amigos começam a namorar, casar e partem da Rua9 para construir suas famílias. Os nossos pais naturalmente foram partindo para a eternidade.
Enfim, cada um dos amigos tomou um rumo e seguiu a vida com suas famílias e nos vemos muito pouco. Eu continuo sendo o Zé da dona Hortência e sou um dos que se mantêm na mesma casa, num lugar cativo na Rua9.
Zé faleceu em casa na Rua9 em 00.00.0000