O SENHORZINHO
Lima Duarte
Um dia estava dirigindo a minha Saveiro na Rua da Consolação quando paro no farol e ao meu lado está o Lima Duarte dirigindo um Scort X3.


Olho para ele e peço para abaixar o vidro, ele abaixa e eu digo que gostaria de entrevistá-lo e pergunto se é possível, ele diz sim e fala, me procura na TV Cultura estou indo para lá gravar o programa Som Brasil.
Simples assim.
Uma semana depois, em setembro de 1989 eu liguei na TV Cultura e agendei uma gravação com ele para o Jornal Monday.
“Romântico ao ponto de falar das coisas como se tudo fosse felicidade, poético ao ponto de colocar em cada palavra a magia da poesia, apaixonado ao ponto de confundir-se no amor com a realidade e a ficção, e lunático ao ponto de ser lúcido,
coerente e confiante em si e nos outros. Homem do campo, simples e amável.
É assim, Ariclenes Venâncio Martins.
“Lima Duarte”
E junto com a amiga Cristiane Lopes fizemos uma entrevista maravilhosa, que a Cristiane escreveu e publicamos no Jornal Monday. Ele falou de Deus, do Brasil, de Assis Chateaubriand, (quando faço a pergunta sobre Chateaubriand e a inauguração da TV ele fica espantado comigo e diz, como você sabe de tudo isso menino, como você conhece tantas histórias assim sobre a TV.
Eu disse que era apaixonado por televisão desde menino pequeno. Kkk, ele continua a falar como se estivesse num palco ou numa interpretação. Fala sobre Beto Rockfeller, Rede Globo, sobre os filhos e principalmente pela paixão que tem pela filha, a atriz Debora.
Fala da admiração por Dr. Roberto Marinho e pelo Boni que o considera o melhor profissional de televisão do mundo, dos vários personagens das novelas, fala do talento de Dias Gomes, mas diz que Walter George Durst era seu autor predileto.
Terminamos a entrevista com ele dizendo:
O Brasil é um grande país, é maravilhoso e tem todas as chances para sair desta crise.
É um país riquíssimo, cheio de possibilidade, só falta um pouquinho de decência e honestidade.
Essa fala é de setembro de 1989. (alguma novidade com os dias de hoje)
Nos despedimos e vou embora com a alma encantada, cheia de otimismo e literalmente apaixonado pelo “senhorzinho”.