MINHA NEGUINHA
Luísa Moura Lima
Minha querida filha, Luísa Moura Lima.
Minha Neguinha.
Gostaria que você soubesse que minha mãe, meus irmãos e meus amigos da Rua9, sempre souberam do meu desejo de ser pai.
Vou contar uma história onde acredito que você e sua mãe dificilmente irão acreditar.
Mas vou registar por aqui:
No ano de 1977, aos 15 anos eu trabalhava como office boy na GG, uma empresa do saudoso querido amigo e empresário Georges Gazale.
Numa determinada tarde, meu chefe o senhor “Antonio Kaier” pediu para eu arrumar uma extensão elétrica, então fui para o deposito e não achei.
Mas tínhamos uns fios pendurados no teto que eram usadas para as costureira passar ferro nos tecidos que eram cortados, embalados e revendidos para a lojas Pernambucanas.
Assim subi numa das mesas de madeira, peguei uma das grandes tesoura de ferro, seguirei a extensão e cortei.
Naquele momento deu um explosão e a tesoura de ferro que estava na minha mão partiu em dois e fiquei com a tomada na minha mão, não aconteceu nada comigo, além do puta susto.
Anos depois descobri que fui salvo por estar em cima da mesa de madeira.
Mas o que essa história tem haver com você e sua mãe?
Você pode ou não acreditar nessa história, como disse, aconteceu em 1977.
Naquela tarde en cima da mesa no momento do curto-circuito e tesoura partindo em 2 eu vi em milésimos de segundos,
uma imagem de um sobrado, uma mulher loira descendo uma escada segurando a mão de uma menina de uns 4 a 5 anos.
Em 24 de julho de 2004 casei com Laura.
Dia 22 de março de 2006, você nasceu.
Realizei meu sonho de ser pai.
Desde 2005, eu, sua mãe e você, moramos no sobrado que construímos.
Luísa, acredite, você é a filha que sempre desejei ter.
Essa menina é minha Neguinha, minha filha:
LUÍSA MOURA LIMA
2025 FOI O ANO EM QUE EU VOLTEI PARA CASA
Por: Luísa Lima.
Voltei com tanta história para contar, que não sabia se dava pra viver mais.
E como vivi!
Abracei meus amigos bem forte e senti muitas saudades daqueles que estão longe.
Conheci pessoas tão especiais que não consigo mais lembrar como era minha vida sem eles.
Produzi meu primeiro filme.
Escrevi o meu primeiro roteiro, um curta e dirigi atores pela primeira vez.
Me apaixonei por São Paulo de novo.
Vi atores dando vida a páginas, palavras e personagens que eu escrevi em salas, de ensaio com chão de tablado, enquanto eu assistia com um sorriso bobo no rosto.
Redescobri meu carinho por atuação, aos poucos.
Aprendi muito sobre mim, e sobre os outros.
Esse ano eu estudei, assisti e fiz cinema — um sonho que sempre pareceu tão longe e agora é realidade todos os dias.
Esse ano eu tive o privilégio de fazer e viver essa arte ao lado de pessoas que me inspiram muito.
Alguns dias atrás assisti um filme que me fez chorar nos últimos minutos porque pensei, “Cinema é muito lindo!”.
E que especial ter encontrado algo que me faça tão, tão feliz, tão cedo.
Ano passado eu disse que 2024 foi o melhor ano da minha vida.
Acho que posso dizer o mesmo sobre 2025.
Espero que continue assim, pra sempre 🌟
Obs: Ao completar 18 anos, viajei sozinha de 01 de junho a 30 de dezembro de 2024 por 9 países na Europa, ficando os últimos 3 meses em Londres.

