ZÉ
Jose Aderbal Lima


Meu irmão Zé sempre foi um bom companheiro, boa praça, estava sempre por perto.
Levava a vida sossegada e sempre podíamos contar com ele.
Tinha poucas recordações do Riacho da Onça — saiu de lá muito pequeno —, mas retornou umas três vezes; em uma delas, passou quase dois meses.
Tínhamos seis anos de diferença; em determinado momento isso era muita distância, mas, com o passar dos anos, praticamente não havia mais diferença.
Vivemos juntos nossa infância na Rua9 e estudamos no mesmo colégio, o Pedro Fonseca.
Ele também sentia um orgulho imenso por mim e pelo meu futebol.
Jogamos juntos durante muito tempo, e ele comprou muitas brigas por minha causa.
Afinal, eu era o craque e apanhava muito; e ele, um zagueiro estilo Lugano da vida — bom, mas um Lugano, se me entendem.
Jogamos futebol no time do Brasilzinho do Monte Kemel, em muitos bairros: desde o Matão, Maracaterra, Rua9, no Espada,
no Rebouças e em diversos outros campos de terra pelos bairros da nossa cidade de São Paulo.
O Zé era festeiro, gostava de noitada, de farra e de praia; adorava uma água e vivia em família no meu terreno, hoje minha casa.
Mesmo depois que me casei com Laura, continuamos juntos — e, nos últimos anos, ainda mais.
Quando minha filha Luísa nasceu, ele não saía de casa; adorava a Luísa, levava-a para comer pastel na feira e sempre cuidou dela nas festas familiares quando eu e Laura não estávamos presentes.
Sempre tive certeza de que ele estava feliz com minha forma de viver: meu trabalho, minhas viagens, minha casa, nossos amigos, nossa família — e sempre estava torcendo por mim.
Nos três últimos anos, ele era meu porto seguro.
Eu sabia que podia viajar e ele estaria presente para segurar a onda — e vice-versa.
Zé era diabético e não se cuidava, e a diabetes não o perdoou.
Depois de muitas idas e vindas de hospitais, um dia, num sábado, depois de uma sessão de hemodiálise, em sua casa, nos braços da Vera, ele adormeceu e não acordou mais.
Meu irmão Zé foi feliz e levou a vida do jeito que queria até o último momento.
Zé morou com Vera de junho de 1988 até quando veio a falecer, em junho de 2014.
Vera Regina Villela
20.05.1952
Não tiveram filhos.
Segundo o Zé dizia, ele teve uma filha de um rápido relacionamento com Carla Vieira Lopes.
Filha: Bruna Vieira Lima
Nasceu em 02.02.2001.
Nós nunca conhecemos nem a Carla nem a Bruna.