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AGOSTO DE 2021

 

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MARÇO DE 1998

 

APRESENTAÇÃO
Marinho Guzman 
Não dá para acertar todas.
O importante é não errar todas.
O Delci tem acertado a maioria das vezes. Tenho o prazer de acompanhar o desenvolvimento de alguém que consegue tudo com o necessário esforço para vencer, sem sacrificar o principal, que é a alegria de viver.
Não tente obrigar o Delci a fazer alguma coisa. Peça e ele fará tudo. Não o deixe saber que você precisa de algo, pois com certeza ele vai encher o seu saco até conseguir lhe ajudar.
Passei alguns dos melhores anos da minha vida ao lado do Delci.
Repeti para ele e com ele Oscar Wilde:
“A vida é importante demais para ser levada a sério.”
Hoje, um pouco mais maduro, sem me arrepender de nada, vou fazer uma mutação na frase, o que pode funcionar bem, inclusive para o Delci:
A vida é importante demais. E tem de ser levada a sério.
Com toda a alegria,
O ENTREVISTADOR 
Delço Patricio dos Santos 
         Conheço Delci desde que nasceu e de uns anos para cá tem sido um grande amigo.
        É uma pessoa comum, igual a todos nós, acredita que a vida é curta demais para ser chata, por isso tem um prazer enorme em viver, trabalhar, sorrir, brincar, conviver com os amigos, estar sempre próximo da família e principalmente da filha Luísa e da mulher Laura e Ser Feliz Sempre.
        Tudo começou em maio de 1988 quanto Delci tinha acabado de se formar em Publicidade e Propaganda  e estava fazendo o 3º ano do curso de Jornalismo na Faculdade FIAM. Foi um encontro intelectual, uma brincadeira de recém-formado.
        A ideia inicial surgiu a partir do momento que ele estava lendo uma entrevista na Revista Playboy com o Diretor de Redação do Jornal Folha de São Paulo, Otavio Frias Filho, e num determinado momento estava respondendo às perguntas.
        E assim de brincadeira começou a entrevistar a si mesmo.
        Nosso 1º encontro aconteceu quando me convidou para entrevista-lo no inicio de 1998.
        Um tempo depois finalizamos a entrevista e a publicamos em março de 1998.
        Agora, agosto de 2021 novamente estamos juntos para contar novas histórias e aventuras, afinal Delci está casado com a Laura e tem uma filha de 15 anos chamada Luísa Lima e isto já é motivo suficiente para ser registrado novamente.
         Nesta nova entrevista ele continua com o mesmo bom humor, a mesma felicidade e uma alegria ainda maior pela vida.
         Posso dizer com toda a certeza que sem dúvida nenhuma esses são os segredos de estar sempre tão feliz, alegre e em paz com a vida.
         E foi com grande orgulho e prazer que eu o entrevistei novamente.
        Espero que se divirta.
         Com carinho Delço.
RIACHO DA ONÇA - BAHIA
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A ENTREVISTA - AGOSTO DE 2021
Ser Feliz Sempre
DELÇO: Olá Delci, tudo bem? Fico muito contente em nos encontrarmos novamente agora em agosto de 2021
DELCI LIMA: Obrigado, isto também me deixa muito feliz.
DELÇO: Em 1998 nós começamos falando do seu nome e da sua idade. O que mudou além da idade.
DELCI LIMA: Pois é, agora mais do que nunca o nome Delci Lima está cada dia mais forte e hoje tem até herdeira.
No dia 30 de agosto de 2021 completo 59 anos de idade e tenho uma filha de 15 anos, a Luísa.
DELÇO: E o sobrenome Batista você retirou de vez?
DELCI LIMA: Como disse em 98, o sobrenome Batista não tinha nada a ver com o sobrenome da minha família e nem comigo. Minha mãe continuava sem saber o porquê dele, assim eu não o assino.
DELÇO: Já que estamos falando de nome e sobrenome o que você pode falar sobre o seu pai.
DELCI LIMA: O nome do meu pai é André Patrício dos Santos, eu não o conheci. Ele morreu quando eu tinha 8 meses de idade, e só fui registrado 3 anos depois de ter nascido. Por isso só tenho o sobrenome da minha mãe, Elizia Lima, na cidade onde nasci tudo era complicado.
DELÇO: Você tem alguma lembrança dele.
DELCI LIMA: Nenhuma, o pouco que sei dele foi através da minha mãe e dos meus irmãos, mas meu irmão Altamiro fez um bom papel como pai e chefe da família por muito tempo.
DELÇO: Você nasceu na Bahia numa cidade muito simples, você ainda lembra dela?
DELCI LIMA: Sim eu lembro, nasci num lugarejo chamado Riacho da Onça, município de Queimadas, interior da Bahia. Sou baiano legítimo e paulista por paixão.
DELÇO: Então você não gosta da Bahia?
DELCI LIMA: Não é isso, é que eu nasci na Bahia e mudei para São Paulo em julho de 1965 com minha família quando tinha 2 anos de idade. Só voltei à minha cidade 17 anos depois.
DELÇO: Quando foi e quanto tempo você ficou na sua cidade.
DELCI LIMA: Um final de semana. Cheguei no dia 29 de dezembro e fui embora no dia 1º de janeiro de 1982.
DELÇO: Por que tão pouco tempo?
DELCI LIMA: Minha mãe e meu irmão Altamiro estavam lá há mais ou menos uns 20 dias e ele me convidou para ser o padrinho do filho dele, o Anderson. E quando eles vieram embora, resolvi acompanhá-los...
DELÇO: Desculpe interromper, acredito que onde você nasceu é um lugar muito pequeno, todo mundo é parente de todo mundo, todos se conhecem. Por que você não ficou mais tempo?
DELCI LIMA: É verdade, lá todo mundo é parente, só que eu saí de lá com 2 anos de idade, voltei 17 anos depois, não conhecia ninguém, mas todos me conheciam, tipo, olha o filho da dona Lizinha e coisas assim. Eu não tinha motivos para ficar, todo mundo foi legal comigo, mas quando minha mãe foi embora eu fui junto.
DELÇO: Vieram direto para São Paulo?
DELCI LIMA: Não, passamos em Salvador, eu não conhecia Salvador.
DELÇO: Em Salvador você ficou mais tempo?
DELCI LIMA: Também não, só uma semana.
DELÇO: Você não gostou de Salvador?
DELCI LIMA: Na verdade não deu tempo de conhecer, e como estava com minha mãe, meu irmão, minha cunhada e meu sobrinho de poucos meses, acabamos conhecendo a cidade dentro do táxi do meu primo Nelson, que mora lá. Quando minha mãe foi embora na sexta-feira, bateu uma saudade tão grande que embarquei no sábado.
DELÇO: Estava tão ruim assim?
DELCI LIMA: Não, foi saudade da minha mãe, da minha casa, de São Paulo, dos amigos.
DELÇO: Da mãe!
DELCI LIMA: É, da mãe mesmo! Não deu para ficar nem mais um dia.
DELÇO: Você voltou outras vezes à sua cidade e a Salvador?
DELCI LIMA: Sim, voltei ao Riacho em 90 com minha amiga Eliana, em 94 com minha mãe, meu irmão Patrício e minha sobrinha Márcia. Estive em 2000, também com a minha mãe, meus irmãos Joãozinho, Patrício e a mulher dele a Fátima e a última vez que estive por la foi com a minha mulher Laura. Estávamos de férias no nordeste e pegamos a minha mãe que estava em Juazeiro, e fomos para o Riacho onde passamos 3 dias, isto foi em janeiro de 2005. Na viagem de 90 foi a segunda e última vez que fiquei bêbado.
DELÇO: Que história é esta de ficar bêbado?
DELCI LIMA: Pois é, fiquei 3 dias, na primeira noite tomei um porre e no outro dia não consegui levantar-se e só vim embora no outro. Sabe aquelas coisas de louco? Saí vomitando pela praça inteira por causa de uma dose de conhaque e duas cervejas.
DELÇO: E por quê?
DELCI LIMA: Sei lá, eu nunca gostei de beber, mas naquela noite, com certeza, estava muito feliz por ter voltado à cidade onde nasci e estava com a minha amiga da Rua9, a Eliana. Já em 94 foi um daqueles momentos que você não esquece. Minha mãe adorou a viagem e desta vez deu tempo de rever todos os parentes e os lugares que minha mãe fazia anos que não visitava. Para ter uma ideia fomos a Campo Formoso visitar um irmão da minha mãe que há 40 anos ela não via. Fomos a Juazeiro, Petrolina. Foi uma viagem maravilhosa.
DELÇO: E Salvador?
DELCI LIMA: A segunda vez que estive em Salvador foi em 86, e desta vez fiquei apaixonado.
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: Eu estava de férias e viajei com mais 3 amigos, Sabão, Rubão e o Chiquinho. Íamos para Maceió. A intenção era passar um final de semana em Salvador e acabamos ficando 10 dias. Só não ficamos mais porque tomamos vergonha na cara.
DELÇO: Como assim?
DELCI LIMA: Nós ficaríamos em Salvador só o sábado e o domingo, mas resolvemos passar primeiro na casa do tio do Rubinho e do Chiquinho, onde iríamos deixar o Chiquinho, que permaneceria lá enquanto seguíamos viagem. Porém não deixaram a gente sair. Era Carnaval, arrumaram um quarto só para gente. A casa ficava próximo à praia de Itapuã, tínhamos café da manhã, almoço, jantar e um carro para conhecer Salvador inteira. Eu tinha que me apaixonar, e foi o que aconteceu. Desta vez tive tempo e dinheiro para conhecer todos os lugares bonitos de Salvador e curtir a praia de Itapuã, que sem dúvida é mágica, é linda, é Itapuã.
DELÇO: Você pensa em morar algum dia em Salvador?
DELCI LIMA: Não, em 95, em outras férias, voltei a Salvador com o Sabão e fomos até Fortaleza. Em outubro de 97 voltei para participar de um seminário de telejornalismo promovido pela Revista Imprensa. Em 2005 estive com a Laura, passamos a noite do dia 31 de dezembro de 2004 na praia do Forte, vendo a queima de fogos, foi uma noite maravilhosa. A última vez que estive em Salvador foi em janeiro de 2014, passamos uma semana no Hotel Stela Maris, eu a Laura e nossa filha Luísa. Mas acredito que não me acostumaria a morar em nenhuma outra cidade do Brasil ou do mundo que não fosse São Paulo. Salvador é bonita, o Rio é maravilhoso, Paris é festa, mas adotei São Paulo como minha casa, ou São Paulo me adotou. Eu amo esta cidade.
* * *
MINHAS AMIGAS
Dizem que é difícil ser amigo de mulheres, não é o meu caso.
Tenho ótimas amigas e bons relacionamentos. 
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Eliana dos Santos Ribeiro, querida amiga da Rua9
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Marta Vieira e Cristiane Lopes - Amigas de jornalismo da FIAM/1989
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Flavia Valentini - Simplesmente amiga
DELÇO: Depois desta declaração de amor a São Paulo, não temos mais o que falar sobre ela. Então vamos falar sobre outro tipo de amor: Delci, quem foi ou quem é seu grande amor?
DELCI LIMA: Tenho de responder?
DELÇO: Tem!
DELCI LIMA: Meu grande amor é a minha mulher Laura, com quem estou casado a 17 anos, estamos felizes e apaixonados.
DELÇO: A Laura não vale, quero nomes!
DELCI LIMA: Isto vai me complicar. Sempre fui e ainda sou muito romântico, muito apaixonado, muito discreto..., nomes? Olha, na minha adolescência tive uma grande paixão, com certeza meu primeiro grande amor de infância. A Vilma, ela foi muito importante na minha vida. Talvez ela nunca tenha sabido disso, porque era um amor meio platônico.
DELÇO: Quanto tempo faz isso?
DELCI LIMA: Faz muito tempo, eu tinha 15 para 16 anos e ela, 18 para 19 anos. É como a música “Outra vez”, que o Roberto Carlos canta, “ela é a saudade que eu gosto de ter”.
DELÇO: Você ainda a vê?
DELCI LIMA: As vezes, estudei no Colégio Pedro Fonseca com ela até a 8ª série, no ano de 78 mudei de colégio. Um ou dois anos depois ela se casou, tem 2 dois filhos e uma neta. O marido dela o Sidney tinha um material de construção perto da minha casa, vira e mexe estava por la comprando alguma coisa e nos encontrávamos, as vezes a vejo aos sábados quando fazemos a feira lá no Monte Kemel.
DELÇO: Feira?
DELCI LIMA: Isso mesmo, pelo menos 2 vezes por mês eu e a Laura íamos a feira no Monte Kemel, onde aproveito para comer um pastel especial, um caldo de cana e ver os meus amigos da Rua9.
DELÇO: Bom, estávamos falando das suas mulheres, e as outras?
DELCI LIMA: Não existiram outras!
DELÇO: Como não! e a Marta, a Eliana, a Flávia, a Rosângela, a Cristina?
DELCI LIMA: São garotas maravilhosas, que fizeram e fazem parte da minha vida. A Marta é encantadora, uma garota forte, madura, e foi a minha melhor companheira de viagem durante um determinado período. Fizemos uma aventura pelo Pantanal que irei lembrar sempre, tenho um carinho especial por ela, a Marta casou e tem duas filhas, estamos sempre em contato.
DELÇO: Eliana, não é bem assim, você era apaixonado por ela.
DELCI LIMA: Esta história é engraçada. Quando no final dos anos 70 eu andava com a Vilminha, todos achavam que nós éramos namorados e diziam que eu era apaixonado por ela. Namorado dela nunca fui, mas apaixonado eu era, e isso voltou a acontecer com a Eliana...
DELÇO: Então era verdade?
DELCI LIMA: Éramos apenas bons amigos.
DELÇO: Diziam que era uma amizade colorida e com todas as cores.
DELCI LIMA: As pessoas falavam demais, a Eliana era legal e nos dávamos muito bem. Eu me sentia bem saindo com ela, precisava ser amigo dela, disso eu tinha consciência. Ao contrário de mim, ela não possuía amigos. E eu era o amigo que sempre estava ao seu lado.
DELÇO: Vocês nunca tiveram problemas de horário: saíam e voltavam a hora que queriam, às vezes até no outro dia. Vocês devem ter transado muito. Qual era o motel que vocês mais freqüentavam?
DELCI LIMA: Durante 10 anos que saímos, todos tinham certeza de que estávamos transando. Realmente não tínhamos horários e demos muitos motivos para que pensassem assim.
DELÇO: Você não me respondeu!
DELCI LIMA: Nós nunca transamos.
DELÇO: Não acredito!
DELCI LIMA: Eu dizia isso para as pessoas que me perguntavam onde eu tinha à noite para chegar às 4 horas da madrugada. Também não acreditavam, para eles eu estava escondendo o ouro.
DELÇO: Por que vocês nunca transaram?
DELCI LIMA: Ela nunca quis, e eu tinha dúvida se queria. Era uma amizade bonita e poderia estragar tudo, assim pensávamos na época.
DELÇO: E como conseguiu? Devia ser duro: os outros pensando que você escondia o ouro e você nem o havia visto.
DELCI LIMA: No começo não me preocupava com isso, respeitava-a muito e sabia o valor da nossa amizade. Mas houve momentos em que a situação me incomodava, o pensamento machista me provocava.
DELÇO: Como assim?
DELCI LIMA: Aquela história, você não transa porque é o amigo, vem outro e transa porque é estranho. Isso às vezes me incomodava demais, aí eu brincava e ela falava: “você é meu amigo” e completava: “Quando um não quer, dois não brigam”. Eu ficava puto. Tive momentos de grande tesão, pensava em seduzi-la, estar com ela, sentir cada pedaço do seu corpo; em outros momentos não imaginava nada, e dizia: “Vamos ter tesão esporadicamente um pelo outro, quem sabe um dia.”
DELÇO: E este dia chegou?
DELCI LIMA: Não.
DELÇO: Tá bom, acredito. (risos)
DELCI LIMA: Pois é, em 92 mudei da Rua9 e o tempo foi passando e acabamos nos afastando. Isto faz parte da vida, depois de anos de uma grande amizade ficamos muito tempo sem ver. Recentemente temos nos encontrado no dia de Natal. Nós últimos anos a convite do Armando vamos almoçar na casa da mãe dele a dona Donatila que mora na Rua9, assim eu passo na casa da mãe dela e colocamos a conversa em dia. Ela está morando no interior de São Paulo.
DELÇO: E a Flávia, a Rosângela, a Cristina, a ...
DELCI LIMA: Calma, eu tinha 16 anos quando conheci por telefone a Flávia, ela estava com 13. Ficamos aproximadamente 2 anos nos comunicando por telefone, sem nos conhecermos. Aprendi muito com a Flávia. Ela era uma menina muito inteligente, bem-informada, me ensinou muita coisa. Sem dúvida foram boas conversas por telefone e arriscaria a dizer que fiquei apaixonado por ela. Havia dia em que nos falávamos várias vezes por telefone.
DELÇO: Eu conheço namoro na TV. Agora por telefone...
DELCI LIMA: Na época até poderia ter sido namoro pelo telefone. A Flávia foi muito importante na minha juventude. Às vezes ficávamos horas e horas no telefone e vou lhe dizer uma coisa: era um papo legal, não era coisa de adolescente babaca, nessas conversas comecei a gostar ainda mais dos Bee Gees. Quando escuto a música Too Much Heaven, penso na Flávia.
DELÇO: Era paixão.
DELCI LIMA: Não, era amizade e respeito, conservo um carinho muito especial pela Flávia.
DELÇO: Você chegou a conhecê-la pessoalmente?
DELCI LIMA: Ficamos conversando por telefone uns 2 anos com certa frequência. Somente 6 anos depois é que fui conhecê-la pessoalmente na faculdade ESPM. Ela fazia Propaganda e Marketing. Foi um encontro rápido. Ja em 2004 estive no apartamento dela e foi um encontro muito legal, numa outra vez jantamos no Restaurante Au ‘Liban, do meu querido amigo Georges Gazale, nesta noite a Laura estava junto. Hoje ela está presente na nossa vida. Nos encontramos com frequência e ela ficou também muito amiga da Laura e da Luísa, sempre nos encontramos para jantar e colocar a conversa em dia. Passamos o réveillon de 2019 na casa dela. Hoje é uma é uma amiga da família e do coração.
DELÇO: Rosângela?
DELCI LIMA: Você não perde tempo.
DELÇO: Lógico!
DELCI LIMA: A Rosângela, eu a conheci quando estudei no Colégio Andrônico de Mello, aliás, estudei nada, quando passeei pelo Andrônico. Lá consegui ser reprovado em todas as matérias. Bem, mas isso não vem ao caso. Acredito que o único problema que tive com a Rosângela foi por causa de um almoço ao qual me convidei para ir à casa dela num domingo. Aí eu não apareci porque fui jogar futebol. Resultado: ela ficou muito brava comigo e acredito que até hoje ela não me perdoa. Mas, cá com os meus botões, penso que se tivesse ido a este almoço, minha vida poderia ter seguido outro destino.
DELÇO: Como assim?
DELCI LIMA: Sei lá, acho que naquele domingo eu a pediria em namoro.
DELÇO: E você não foi por quê, estava com medo?
DELCI LIMA: Não, foi babaquice mesmo, fiz uma das coisas que eu mais odeio que façam comigo. Fui irresponsável, estava jogando e quando percebi já passava da hora do almoço, até hoje também não me perdôo.
DELÇO: E por que você acha que sua vida teria outro destino?
DELCI LIMA: Se ela aceitasse, mudaria tudo, eu respeitava muito o pai dela, o Sr. Cláudio. Aí quem sabe eu estaria hoje chamando-o de sogro.
DELÇO: E isso seria bom?
DELCI LIMA: Não sei, isso é algo que jamais saberei, mas gostava muito da Rosângela, apesar de ela viver brigando comigo. (risos)
DELÇO: Ela era uma garota brava?
DELCI LIMA: Você conhece alguma baixinha que não é briguenta? Se você conhece, me apresente porque tenho uma queda pelas baixinhas. A Rosângela não poderia ser diferente.
DELÇO: Você ainda tem contato com ela?
DELCI LIMA: Sim, tenho me encontrado muito com o irmão dela, vira e mexe estamos um na casa do outro e no início de 2016 marcamos um almoço com os pais dela, então a dona Edna, o seu Claudio, ela e o Vladimir com a família passaram uma tarde de domingo bem agradável na minha casa.

***

MINHA FAMÍLIA
A base da minha vida sempre foi a estrutura dentro da minha família.
Sem ela não seria o que sou. 
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Lourdinha - Patricio - Leda - Delci - Zé
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Leda - Patricio - Altamiro - Mãe - Lourdinha - Delci - Zé - Joãozinho 
DELÇO: E casamento Delci, você acredita no casamento, na família?
DELCI LIMA: Sim, acredito, mas essas instituições sociais evoluíram. O homem mudou, a mulher mudou. Hoje a mulher tem conquistado seu espaço, tem sua liberdade, e isso, de certo modo, incomoda o homem. O termo casamento é careta, mas não vai morrer nunca, o homem não vive sem a mulher e nem ela sem ele.
DELÇO: Você disse que a mulher mudou, o que você acha dessa mudança?
DELCI LIMA: Tá na cara que a mulher vem mudando, e não é de hoje, vem acontecendo há muito tempo. Para mim isso é bom para todo mundo. Não pode mais existir aquela mulher submissa, que vivia dependendo do homem. Ela deve ir à luta pelos seus direitos, deveres e necessidades.
DELÇO: Você não acha isso perigoso? Assim ela vai passar a competir com o homem.
DELCI LIMA: Olha, isso seria ótimo. Os marqueteiros dizem que a concorrência é necessária. Depois, deve competir mesmo, procurar seu espaço no mercado de trabalho, na política, na vida social.
DELÇO: E quem vai fazer os deveres de casa? (risos)
DELCI LIMA: Olha, essa é uma verdade a ser bem pensada. Na minha opinião, a única coisa que me incomoda nessa mudança é a mulher perder sua feminilidade.
DELÇO: Explique isso.
DELCI LIMA: Há coisas que são delas, afinal, elas não podem perder a beleza de ser uma boa mãe, de ser delicadas, de ser femininas. É preciso acabar com o feminismo babaca e o machismo bobo, medroso.
DELÇO: Continuo perguntando, quem vai fazer os deveres de casa?
DELCI LIMA: Os dois, não vejo problema nenhum em arrumar a casa, fazer o jantar, lavar a louça. Quanto a isso estou tranqüilo.
DELÇO: Então a mulher que paga a conta não o incomoda?
DELCI LIMA: De jeito nenhum, isso é puro machismo. Quando saia com uma garota e ela queria pagar a conta, para mim não tinha problema, meu orgulho não chega a tal estupidez. Hoje adoro quando minha mulher toma a iniciativa e planeja nossas viagens.
DELÇO: E a família, você acredita nela?
DELCI LIMA: A família tradicional acredito que está acabando, hoje é difícil encontrar uma família unida, tipo pai, mãe e filhos, todos morando juntos, todos se curtindo.
DELÇO: Com você foi assim?
DELCI LIMA: Meus pais tiveram 8 filhos. Eu sou o caçula. Como lhe disse, meu pai morreu cedo, mas minha família permaneceu muito unida. Meus irmãos só saíram de casa depois de casados e todos estavam sempre juntos.
DELÇO: Você tinha 8 irmãos, como era e é seu relacionamento com eles?
DELCI LIMA: O melhor possível. É difícil encontrar uma família assim tão unida. Hoje tenho 2 irmãs, a Leda que é solteira e a Lourdinha que é casada, os outros também eram  casados.
DELÇO: Eram não são mais?
DELCI LIMA: Pois é, meus outros irmãos já partiram para a eternidade. O Pina morreu muito cedo, em abril de 88, com 43 anos de idade. Era diabético e morreu em consequência dessa doença. Era casado com a Marinalva, tinha duas filhas, a Vanessa e a Fernanda. Foi muito duro para a gente, principalmente para minha mãe e a Leda, que sofreram muito. Ele estava separado da Marinalva e estava morando na Rua9 com a gente quando ficou doente. Nós sofremos muito, mas que Deus o tenha. Pina sabia o quanto o amávamos e quanta saudade temos dele. Ele era o mais brincalhão, o mais alegre de todos.
DELÇO: E você, como se sentiu?
DELCI LIMA: Não sei, é uma coisa que não sei explicar. Como disse, minha família sempre foi muito unida. Mesmo casado, o Pina nunca deixou de estar em casa e, precisamente neste período em que estava separado, eu, ele e o meu outro irmão Zé saíamos muito, principalmente aos domingos, quando ele ia assistir às nossas partidas de futebol do Brasilzinho, o Pina era um dos meus fãs, gostava muito do meu futebol e sempre me incentivava. De repente ele morre.
DELÇO: Complicado, né?
DELCI LIMA: Muito complicado. Há dias em que me pego pensando nos meus irmãos como se eles estivessem do meu lado. (pausa)
DELÇO: E o Altamiro, ele não era o mais velho?
DELCI LIMA: Pois é o Altamiro era o nosso horizonte, quem cuidou de todos nós deste quando chegamos da Bahia. Um dia acordou com uma forte dor de cabeça, a filha dele a Ediane me ligou e fui correndo levá-lo para o hospital. Ele teve um AVC em janeiro de 2003, ficou 26 dias em coma e morreu no hospital Pirajuçara. Até hoje ninguém entendeu nada. Ele era o mais forte de todos e de repente foi embora.
DELÇO: E os outros?
DELCI LIMA: Eu sou o caçula, depois vinha o Zé, que era 4 anos mais velho do que eu. Nós brincamos e jogamos muito futebol juntos.
DELÇO: Pelo menos jogam bem?
DELCI LIMA: Ele era zagueiro, tipo Lugano, violento, mas bom de bola. Depois relaxou. Eu sempre fui um craque. (risos).
DELÇO: O Zé morreu muito cedo, o que aconteceu?
DELCI LIMA: Ele também era diabético, viveu intensamente cada momento da vida, mas dentro da irresponsabilidade e da não consciência da diabetes, ele não se cuidava, teve vários problemas.
DELÇO: Morreu de repente?
DELCI LIMA: Não, eu sempre dizia que ele não era muito obediente, Deus vivia chamando, e ele não ouvia, mais o dia chegou.
DELÇO: E como foi.
DELCI LIMA: Em junho de 2016, morreu dormindo nos braços da Vera, esposa que esteve sempre ao lado dele. Sinto muita falta dele, nos últimos anos um era a apoio do outro, sempre estávamos juntos, era um irmão maravilhoso e tinha um grande carinho pela minha filha Luísa. Ta fazendo muita falta.
DELÇO: São quantos homens e quantas mulheres?
DELCI LIMA: São 2 mulheres e 6 homens. Depois do Zé vem a Leda. É sem dúvida a que mais me ajudou e ainda me ajuda. Depois que meu irmão mais velho Altamiro se casou, foi ela quem assumiu a casa. Mulher de fibra, é o Norte da nossa família, é ela quem nos guia. Ajuda a todos. Sinto muito orgulho de tê-la como irmã. Acredito que esteja feliz e tenho feito de tudo para deixá-la mais feliz.
DELÇO: O Altamiro era assim também?
DELCI LIMA: Herdei dele todo o caráter, responsabilidade e um pouco da sua forte personalidade. Foi quem criou todos nós depois que nosso pai morreu. Junto com o Patrício ele trouxe todos da Bahia, aqui nos deu casa, comida, educação. É sem dúvida o pai que não tive, apesar de nunca lhe ter dito isso. Tanto ele quanto a Leda sabem o quanto são importantes na minha vida.
DELÇO: Tá faltando ...
DELCI LIMA: É, tem a Lurdinha, casada, mãe de 3 filhos a Rose, o Luciano e o Eduardo e com cinco netos.
DELÇO: Um dos filhos da Lourdinha, morreu.
DELCI LIMA: Isto mesmo, o Eduardo morreu vítima de um assalto onde estava envolvido, foi triste para todos nós, o Eduardo era um bom garoto tinha uns 21 anos, mas não teve boas amizades. Eu estava de férias Portugal com a Laura e a Luísa e não pode fazer nada. Mas a minha irmã Lourdinha também tem certeza que eu o amava muito.
DELÇO: O Joãozinho.
DELCI LIMA: Depois vem o Joãozinho, que também tinha 3 filhos, o Adriano, a Andreia e a Alexandra e quatro netos, estava separado e deu uma mudada na sua vida.
Às vezes é melhor sair de um casamento mal resolvido do que tentar consertar. E ele conseguiu isso e estava curtindo outra vida. Mas num determinado momento voltando do super mercado em fevereiro de 2012, caiu da escada do portão da sua casa e veio a falecer.
E tinha o Patricio, pai de 4 filhos, o Andre, o Marcelo, a Marcia e o Alex, sendo que o André, o mais velho, mora hoje em Moçambique na África, casado com a Fernanda e é pai do Lucas e da minha afilhada Raquel que está estudando direito na Alemanha. O Patrício morreu em novembro de 2018 também em consequência da Diabetes.
* * *
MINHA MÃE
O centro de tudo, nos alimentou com amor, carinho, educação e
nos deu o caminho para a vida.
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DELÇO: E sua mãe?
DELCI LIMA: O que dizer da minha mãe! Era maravilhosa. Eu a amava e ela sempre soube disso, sempre fiz questão que ela soubesse. Poderia ficar horas falando da minha mãe, mas não é preciso, ela tinha uma disposição que contagia a todos nós. Estava com 94 anos de idade, quando nos deixou. Antes andava todos os dias, ia a muitos lugares, à casa dos nossos amigos da Rua9, à casa dos meus irmãos. Era o braço direito de todos os filhos, escutava e nos tratava com muita preocupação e carinho. Mas posso te dizer com toda a certeza do mundo, era maravilhosa. Morreu no hospital em maio de 2014, cercada dos filhos e partiu em Paz com a missão cumprida.
DELÇO: Uma família assim, não dá para se queixar. Essa família se estende também aos outros familiares.
DELCI LIMA: Acredito que família na concepção da palavra seja, pai, mãe e filhos. Brincadeira ou não, marido e mulher são ex. agora pais e filhos sempre serão uma família.
DELÇO: E seus sobrinhos.
DELCI LIMA: Tenho ótimos sobrinhos, e fico a vontade para falar deles, o André que morou durante anos em Lisboa e hoje mora em Moçambique na África é mais que sobrinho é amigo, é um irmão, sou padrinho da filha dele a Raquel e todas as vezes que estive na Europa fazia questão de entrar por Lisboa para visita-lo. Tem a Rose, filha da Lourdinha que esta sempre por perto e hoje ainda mais quando tem ajudado em muito a minha irmã Leda. O Anderson que é um pouco do Altamiro, amigo para todas as horas. Me dou bem com todos os outros sobrinho e sobrinhos netos, durante muito tempo fiz do meu terreno o local de encontro da nossa família. Muitos dos meus sobrinhos cresceram por la se divertindo na piscina e nas tardes de domingo.
DELÇO: Continua fazendo ainda
DELCI LIMA: Hoje estou casado, durante os primeiros anos de casamento a Laura organizava a noite de Natal em casa e fazíamos o amigo secreto e reunimos a família, com a morte da minha mãe deixamos de fazer. Hoje eventualmente reúno em casa um ou outro da família para prestigiar nosso Cachorro-Quente.
* * *
AMIGOS DA INESQUECIVEL RUA9
Amigos nós escolhemos.
Tenho feito as melhores escolhas. 
Meus amigos da Rua9 fazem parte da minha vida.
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Meu irmão ZÉ - Armando - Junior - Sabão - Chicão - Carlinhos - Coalhada - Marco  
Zé da dona Hortência - Claudio - Toninho - Ricardo - Edson - Delci - e Rubão
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Minhas irmãs Leda e Lourdinha e as mulheres dos amigos da Rua9
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Marcio (Coalhada) - Delci - Carlinhos Monaco
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São Tomé das Letras - Pousada do Marco
Marco Monaco - Delci - Luiz Jacob Moreira
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Meu aniversário e da Leda na Rua9
Fofa - Sabão - Joelma - Celia - Carlinhos - Leda - Cristina - Chiquinho - Ricardo 
Andreia - Delci - Rose - Renata - Regina - Luciano e Eduardo
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Reunião em casa com os amigos da Rua9
Meu irmão Zé, Carlinho, Sabão, Delci, Chiquinho, Ricardo e Luciano
DELÇO: E você tem muitos amigos?
DELCI LIMA: Tenho muitos, posso me considerar um cara de sorte.
DELÇO: Fala um pouco sobre seus amigos.
DELCI LIMA: Vou falar dos amigos da Rua9. Antes vou lembrar um momento do filme italiano CINEMA PARADISO, em que um cineasta famoso retorna à sua cidade natal e relembra sua infância. Ali me coloco na situação desta personagem e me lembro dos amigos de infância da querida Rua9.
DELÇO: Rua9, o que é isso?
DELCI LIMA: Quando cheguei da Bahia com 2 anos de idade, fui morar na Rua9, que fica no Bairro do Ferreira, hoje Monte Kemel que fica na zona Oeste de São Paulo. Ali fiquei até meus 28 anos. Na Rua9 cresci, estudei, aprendi e me eduquei. E vivi os melhores anos da minha com todos os meus amigos da minha infância, adolescência e juventude.
DELÇO: E são muitos os amigos?
DELCI LIMA: Sim, são muitos, foram 28 anos na mesma rua, na mesma casa e com os mesmos amigos. Tenho uma lista deles. Hoje muitos estão casados, mas sempre que possível estamos nos encontrando.
DELÇO: Você preserva essas amizades?
DELCI LIMA: Para mim, amizade sempre foi uma coisa muito importante. Eu vivia na casa deles e eles na minha. Tinha o sr. Rolando e a dona Nildete que me ajudaram muito quanto eu era criança. Passei a infância na casa da dona Ruth brincando com seus filhos,  Luiz, Chiquinho, Rubinho e o Júnior. Na casa da dona Delza, com Marco, Carlinhos,  Ricardo; na dona Maria do Sr. Sildo, com o meu querido amigo Sabão e os irmãos dele, o Chicão e o Coalhada.
DELÇO: E vocês brincavam do quê?
DELCI LIMA: Olha, aquela turma brincou de tudo que era possível: futebol na Rua9, no Maracaterra, taco, bolinha de gude, pular corda, esconde-esconde. Eu sou da geração das brincadeiras de rua. Ficávamos até altas horas da noite brincando, e uma coisa que para mim é muito gratificante: nenhum dos meus amigos partiu para a malandragem, todos trabalharam, estudaram, ninguém nunca roubou, foi preso ou usou drogas. Aliás, nós nem sabíamos o que era droga. Foi uma geração muito saudável.
DELÇO: Quando foi isso?
DELCI LIMA: Na década de 70. Em casa havia muita festa, meu irmão Altamiro era chegado numa festa. Todo final de semana havia uma em casa. Eu era pequeno, mas estava lá. Só que era outra geração, com minhas irmãs Lourdinha e a Leda e os demais amigos como a Rosana, Filomena, Armando, Fausto, Toninho e muitos outros. Realizavam-se festas juninas com fogueira no meio da rua, as brincadeiras de carnaval com os esguichos, as de final de ano os encontros e as rezas na casa da dona Rute.  A Rua9 foi durante pelo menos 20 anos o que havia de melhor no bairro para muitos de seus moradores.
DELÇO: Voce ainda tem contato com todos eles.
DELCI LIMA: Sim, em 1995 eu e o Armando fizemos um churrasco no meu terreno e convidamos todos os pais dos nossos amigos, foi uma festa inesquecível para mim e muito deles. Hoje revendo a gravação tem muita gente que não está mais conosco.
DELÇO: Você continua fazendo estes encontros.
DELCI LIMA: Durante uns 5 anos seguidos eu reunia somente os homens no meu terreno e fazíamos um churrasco, a conversa era sempre a mesma, lembrar dos bons tempos da Rua9, mas todos adoravam. No dia 30 de agosto de 2008 junto com a minha irmã Leda que faz aniversário no mesmo dia que eu, fizemos um baile na minha casa com músicas dos anos 70, convidei todos eles, a maioria apareceu e se divertiu bastante.
Em dezembro de 2013, junto com o Armando, reunimos novamente no meu terreno todos eles e dessa vez com as mulheres e os filhos tinha umas 50 pessoas. Foi um momento muito saudosos, todos adoraram.
DELÇO: Vai repetir o baile.
DELCI LIMA: Acredito que sim, estou organizando.
DELÇO: E aquele amigo de verdade, existiu?
DELCI LIMA: Tive e tenho muitos amigos, e poderei cometer algumas injustiças ao citar alguns e esquecer outros. Começo pelo Luiz Jacob da dona Ruth. Até hoje visito o Luiz, sempre batemos longos papos sobre tudo, o Luiz é um grande amigo e tem muito a ensinar, principalmente para quem quer aprender, e foi meu parceiro durante muito tempo nas aventuras eletrônicas na nossa infância. 1977 nos matriculamos no Instituto Universal Brasileiro para fazer um curso de Rádio, Transistores e Televisão, nosso primeiro EAD.
DELÇO: Quantos anos vocês tinham?
DELCI LIMA: Olha, começamos com uns 14 para 15 anos e montávamos e desmontávamos tudo quanto era aparelho eletrônico. Gostávamos muito de eletrônica, o Luiz lia tudo sobre o assunto de eletrônica. Aliás o Luiz continua a ler tudo o que vê pela frente, se tornou um grande Educador. Bom eu, era mais preguiçoso, só fuçava nos equipamentos, o que era muito divertido. O Zé da dona Hortênsia, com aquele seu jeitão tímido, devagar, sempre muito quieto. Durante um período saí muito com o Zé. Hoje está casado, é pai e continua morando na Rua9, vira e mexe está na minha casa consertando nossos eletrodomésticos. O Sabão, até hoje é um grande amigo, lembro-me das viagens que fizemos pelo Nordeste, principalmente a de 1986 com o Rubão e o Chiquinho até Maceió.
DELÇO: Porque?
DELCI LIMA: Por vários motivos, foi a minha primeira viagem, nunca tínhamos saído da Rua9 e depois foi um momento de aventura e liberdade, viajamos numa Brasília 76, fomos até Maceió, nos divertimos muito.
DELÇO: Vocês viajaram outra vez?
DELCI LIMA: Sim, em 1995 nós dois fomos até Fortaleza.
DELÇO: De Brasília?
DELCI LIMA: Não, eu tinha acabado de compra um Logus zero quilometro e andamos quase 10.000 quilômetros. Conhecemos muitas praias e lugares maravilhosos do Sudeste até o Nordeste.
DELÇO: E a mulherada.
DELCI LIMA: Eu não posso falar muito se não o Sabão vai ter problema, mas como dizia o pessoal do Programa Casseta e Planeta, nós passamos 20 dias viajando e não comemos ninguém (risos)
DELÇO: Você continua falando com ele.
DELCI LIMA: Nos vemos com frequência, vira e mexe está na minha casa contando histórias e depois de muito tempo casou com a Joelma, e por falar na Joelma, ela era a única pessoa neste mundo que não falava comigo
DELÇO: Porque?
DELCI LIMA: Não sei, juro que não sei, de um momento para outro ela deixou de falar comigo, acredito que foi por alguma fofoca mal explicada.
DELÇO: Fofoca?
DELCI LIMA: Pois é acredito que sim, sabe a história do segredo, um conta pra um, que conta pro outro, ai vira uma merda, eu acho que foi isso. Eu tentei procurar saber, mas até hoje não sei. Isto me deixou muito triste. Hoje ela voltou a falar comigo, tem frequentado a minha casa junto com o Sabão.
DELÇO: Você tem um amigo em especial?
DELCI LIMA: Acredito que o amigo mesmo foi o Marco Monaco, com quem convivi até mais ou menos os 16 anos de idade, era uma amizade que se completava, era uma amizade...
DELÇO: Era, vocês não são mais amigos?
DELCI LIMA: Somos, mas não como antigamente.
DELÇO: E por que acabou?
DELCI LIMA: Não acabou, mas com o passar dos anos optamos por coisas diferentes. Eu comecei a trabalhar e estudava à noite, assim não saíamos como antigamente.
DELÇO: Vocês brigaram?
DELCI LIMA: Não, não brigamos, ficamos um período sem nos falar.
DELÇO: Quanto tempo?
DELCI LIMA: Um ano e alguns meses, não sei com precisão. Um dia ele me procurou e voltamos a nos falar.
DELÇO: Vocês ainda se falam?
DELCI LIMA: Sim, o Marco morou um tempo em São Tomé das Letras, onde tinha uma pousada e sempre que vinha para São Paulo me procurava e dormia no meu terreno.
(Antes de casar eu tinha um terreno no Taboão da Serra onde fazia muitas festas. Hoje virou uma ótima casa onde moramos)
Nos falamos com frequência, hoje está casado com a Betânia e mora em Sorocaba, interior de São Paulo e sempre nos encontramos, as vezes eles dormem em casa ou passamos o final de semana na casa deles e aproveitamos para ver o Ricardo e o Carlinhos que também moram no mesmo condomínio.
Não posso esquecer do Armando, hoje é um grande amigo.
 
DELÇO: Armando?
O Armando é um daqueles amigos da Rua9, fazia parte da turma das minhas irmãs Leda e Lourdinha. Meu primeiro emprego foi em 1975 com o Armando entregando leite Leco de madrugada em São Bernardo do Campos. Depois que ele se casou ficamos muito próximos e até hoje nos vemos com frequência. Nos últimos anos ele nos convida e fazemos questão de almoçar no dia de Natal na casa da mãe dele a Dona Donatila. É sem dúvida um grande amigo.
* * *
Andre Patricio Neto
Um sobrinho querido, um irmão distante, mas muito perto do coração.
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 Visita ao Brasil do querido sobrinho Andre e seu filho Lucas - Dez 2017
Delci - Luísa - Andre - Lucas - Laura 
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Igreja e Santuário da Nossa Senhora de Fátima - Portugal - Junho 2007
Lucas - Delci - Laura - Raquel - Andre - Luísa - Foto by Fernanda
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Visita ao estádio Santiago Bernabeu do Real Madrid - Madrid - Junho 2007
Fernanda Patricio -  Andre - Luísa
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Visita do Andre no Brasil - Prestigiando nosso cachorro quente em casa - Dez 2017
Carlinhos - Andre - Delci - Armando
DELÇO: O seu sobrinho Andre, também é um grande amigo.
DELCI LIMA: Pois é, o relacionamento com meu sobrinho Andre é muito mais do que tio e sobrinho é de amigo, de irmão.
DELÇO: Como você disse, amigos conquistamos.
DELCI LIMA: Isso mesmo, o Andre conviveu comigo até completar uns 12 anos de idade, depois que seu pai e sua mãe Lucinha se separaram ele foi mora com a mãe em Curitiba.
DELÇO: Vocês continuaram se vendo.
DELCI LIMA: Sim, ficou morando por la ate 1990 quando resolveu se aventurar pela Europa, primeiramente foi para a Itália e depois fixou residência em Lisboa, onde casou com a Fernanda e tem 2 filhos, a Raquel e o Lucas.
Ha 9 anos está morando em Moçambique na África e está muito bem. Sou padrinho da Raquel que hoje está concluindo a Faculdade de Relações Internacional na cidade de Kleve na Alemanha. Tenho um carinho enorme por todos eles.
DELÇO: Quando foi a última vez que se encontraram.
DELCI LIMA: Nos falamos com frequência via WhatsApp. Em junho de 2007 eu Laura e Luísa passamos 1 mês na casa dele em Mafra e em dezembro de 2017 ele veio passar o réveillon conosco e estava acompanhado do filho Lucas, foi uma visita rápida, mas deu para colocar a conversa em dia.
Em junho de 2018 eu Laura e Luísa combinamos e passamos dois dias com a Raquel em Londres para saber das novidades e matar a saudade.

* * *

CRISTINA ZANATA
Uma paixão da juventude que se tornou em sócia e numa grande amiga
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DELÇO: Muitos amigos e amigas, aliás, onde se encaixa a Cristina nisso tudo.
DELCI LIMA: (risos) durante um grande tempo eu queria que a Cristina se encaixasse na minha casa, na minha cama, na minha vida, na ..., (a Laura vai ficar louca)
DELÇO: Ô loco!
DELCI LIMA: Agora é sério, conheci a Cristina quando ela tinha 15 anos. Apareceu no Status Studio onde eu era sócio com o Marinho Guzman para fazer um Book. Isso foi em 1987 e nos tornamos grandes amigos.
DELÇO: Sempre amigos, me engana!
DELCI LIMA: Ali era diferente, todo mundo que nos conhecia sabia das minhas intenções com ela, inclusive os amigos da Rua9 sempre souberam que eu gostava muito dela. Quem sabe poderia ser minha namorada, até casar-se comigo.
DELÇO: E a dela?
DELCI LIMA: Nunca soube direito, ela era uma boa garota, talvez estivesse procurando por alguma coisa que não sei se encontrou.
DELÇO: E você ficou esperando?
DELCI LIMA: Esperei por bastante tempo, sempre deixei claro o que desejava, com ela sempre fui objetivo, cheguei até a me apaixonar (risos).
DELÇO: Ficou apaixonado de verdade?
DELCI LIMA: De ficar bobo. Homem quando ama fica bobo, não conta pra ninguém, mas é só olhar para ele que todos vão perceber a paixão. Eu fiquei assim.
DELÇO: Quando foi que se apaixonou?
DELCI LIMA: Foi em 92, precisamente em julho, quando fui pela TV Bandeirantes a Barcelona participar da cobertura das Olimpíadas. Fiquei exatamente um mês fora e desta vez não senti saudades só da minha mãe. Então, quando cheguei, decidi resolver nossa situação. Era a melhor fase da minha vida, estava bem profissionalmente e financeiramente, poderia casar numa boa.
DELÇO: E aí?
DELCI LIMA: Aí ela disse não. Achava-se nova e não estava apaixonada por mim o suficiente para casar-se. Tinha muita coisa a fazer ainda.
DELÇO: E você?
DELCI LIMA: Fiquei louco, entrei em parafuso, foi aí que percebi que estava apaixonado, mas com o tempo sarei.
DELÇO: Sarou, paixão é doença?
DELCI LIMA: Eu acho que sim, porque você fica mal, depois você aprende a receita para a cura.
DELÇO: E qual é?
DELCI LIMA: Esquecer, é só isso, mas até esquecer dói muito.
DELÇO: E hoje ainda dói?
DELCI LIMA: Não, somos ótimos amigos, no início não gostei muito disso, mas ela continua sabendo que foi muito especial para mim.
DELÇO: E sua mãe, o que acha disso?
DELCI LIMA: Ela gostava da Cristina. Depois eu sempre disse aos amigos e à família que só levaria para casa uma garota de quem realmente gostasse. A Cristina foi durante muito tempo a única garota que frequentou a minha casa e a dos meus irmãos.
DELÇO: E a sua mulher Laura, o que acha disso.
DELCI LIMA: Sempre fui muito transparente com a Laura, eu não posso esconder o meu passado, seja com a Cristina ou com os meus amigos da Rua9. Não cabe ciúme.
DELÇO: Vocês ainda mantem contato.
DELCI LIMA: Sim, não com tanta frequência, mas sempre estamos nos falando por telefone.
DELÇO: E pessoalmente.
DELCI LIMA: Tenho que negociar com a Laura (riso) as vezes que nos encontramos a Laura está sempre sabendo. A Cristina era a minha sócia na LZ12 Comunicação, o Z é de Zanata. A Cristina é uma amiga que estará sempre no meu coração e sabe que sempre poderá contar comigo.

 

***

MULHERES
A primeira vez
DELÇO: Mulheres, será que elas são a nossa diferença? Delci, fala quem foi a sua primeira mulher?
DELCI LIMA: Como assim?
DELÇO: Não se faça de bobo, eu quero saber como foi sua primeira transa!
DELCI LIMA: Esta pergunta não poderia faltar.
DELÇO: Esta pergunta é de praxe e tem de ser respondida.
DELCI LIMA: Foi em ... (pensa)
DELÇO: Não enrola não, quando foi e com quem?
DELCI LIMA: Eu devia ter uns 18, 19 anos, não lembro direito.
DELÇO: Quem era ela?
DELCI LIMA: Não falo.
DELÇO: Como não fala! Diz o nome dela!
DELCI LIMA: Não posso dizer, seria uma indelicadeza, ela não era uma vagabunda.
DELÇO: Então, com toda delicadeza (risos), quer dizer que a sua primeira transa não foi com uma prostituta?
DELCI LIMA: Nunca saí com prostituta, nunca em minha vida paguei mulher.
DELÇO: Vai dizer que você nunca foi a uma zona?
DELCI LIMA: Fui duas vezes.
DELÇO: Então transou com uma prostituta?
DELCI LIMA: Não, na primeira vez fui com o Zé da dona Hortênsia para conhecer, devia ter uns 15 anos. Quando vi todas aquelas mulheres com cara de fome, tive medo e vim embora rapidinho.
DELÇO: Com medo, onde era?
DELCI LIMA: Isso mesmo, morri de medo. Faz tempo, não lembro direito, mas acho que era ali no centro da cidade, na rua Aurora ou perto. Era um prédio feio. Entramos no elevador e depois fomos descendo andar por andar e as mulheres iam nos agarrando e nos chamando para o quarto.
DELÇO: E o Zé?
DELCI LIMA: Ele era mais velho do que eu, já tinha passado por isso, mas não transou com ninguém. Saímos de lá rapidinho.
DELÇO: E da segunda vez, onde você foi?
DELCI LIMA: Estava com os amigos da Rua9, fomos na famosa Tia Olga levar o Toninho da dona Maria, que estava completando 18 anos naquele dia. Lembro muito bem, era na final olímpica do vôlei masculino entre Brasil e EUA, em 84, em Los Angeles. Ficou todo mundo assistindo ao jogo. Quando acabou, um olhou para a cara do outro e fomos embora, ninguém transou.
DELÇO: E o aniversariante?
DELCI LIMA: Estava morrendo de medo. Apesar de ter umas mulheres bonitas, fomos embora, estávamos lá só por farra.
DELÇO: Mas conta como foi sua primeira vez?
DELCI LIMA: A primeira vez é sempre complicada, você tem medo, fica ansioso, e comigo não foi diferente, mas foi bom.
DELÇO: Delci, o que você acha da virgindade?
DELCI LIMA: Um tempo atrás ouvi numa entrevista, se não me engano do humorista Agildo Ribeiro, na qual ele falava da virgindade, gostei do que ele falou, e concordo com ele. Ele dizia que as pessoas deveriam deixar de ser virgens quando sentissem vontade, sem a preocupação com idade ou qualquer outra coisa. E acho isso legal, principalmente para a mulher. Ela é quem deve saber a hora de perder a virgindade, não o seu namorado ou seus amigos e amigas.
DELÇO: Sair com uma garota virgem não o incomoda?
DELCI LIMA: Não, mas é complicado, a pior coisa do mundo é sair com uma garota virgem que está louca para transar e fica enrolando. Isso me incomoda. É como eu disse se está a fim tem que transar, não pode ficar com medo. Esse negócio de querer fazer as coisas e ficar com medo não dá certo.
DELÇO: Você é muito mulherengo?
DELCI LIMA: Não, uma vez me definiram assim: o Delci é homem de uma única mulher. Gostei disso e é verdade.
DELÇO: Então você é fiel?
DELCI LIMA: Sim, sempre fui, para mim a fidelidade é fundamental num relacionamento. Me chamavam e me chamam de careta até hoje por pensar assim.
DELÇO: O que você acha da traição.
DELCI LIMA: Complicado, tanto que nunca gostei da parte em que o Padre diz – promete ser fiel – quando alguém diz sim, acho isso uma hipocrisia. Então procuro não dar motivos para que isso aconteça.
DELÇO: Como assim.
DELCI LIMA: O homem é filho da puta, ele não precisa de motivo para trair, é só achar uma mulher de quem esteja a fim e pronto, já traiu. A mulher era um pouco diferente ela trai quanto tem motivo e na maioria das vezes nós damos muitos.
DELÇO: A Laura teria motivo para isso?
DELCI LIMA: Da minha parte não, acredito que jamais seria capaz de trai-la, sempre disse que prefiro trocá-la por outra do que trai-la. A traição é uma coisa muito ruim, não estou falando somente de sexo. Estou falando de cumplicidade de respeito.
Neste momento lembro o filme Quantum of Solace do 007, onde o James Bond passa o filme inteiro matando todo mundo que encontra pela frente porque queria saber por que e com quem a mulher que ele amava o traiu. No final do filme ele descobre o homem que foi o motivo da traição e para surpresa de todos ele não o mata. Neste momento ele encontra a Paz de Espírito. E a traição não tinha nada a ver com sexo.
DELÇO: Então você acredita que traição não é somente sexo
DELCI LIMA: Isto sempre esteve muito claro na minha cabeça desde quando eu era menino, por incrível que pareça a traição somente acontece com as pessoas que gostamos, nós não traímos nossos inimigos.
E depois acredito que a traição deva ser igual ao Mil e uma noite, ou seja, uma noite de prazer e mil de sofrimento.
DELÇO: Parece coisa de louco. Delci, qual foi sua melhor transa?
DELCI LIMA: Sexo é bom e eu gosto. Dizem que se Deus fez coisa melhor do que a mulher, deixou lá em cima para ele. Quando pensam assim, é porque estão pensando em sexo (risos). Também dizem que a melhor transa é a última, eu concordo.
DELÇO: E aquela que não dá para esquecer?
DELCI LIMA: Há muito tempo atrás fui num motel com uma garota, passamos a noite inteira, foi uma noite inesquecível e o mais engraçado de tudo é que não aconteceu nada.
DELÇO: Não acredito, você é louco?
DELCI LIMA: Ela era virgem, nunca tinha ido a um motel. Ela estava tão feliz naquela noite, que não tinha motivos para transarmos, foi maravilhoso.
DELÇO: Nem vou perguntar quem era porque sei que você não vai responder. Mas conta só pra mim?
DELCI LIMA: É claro que não vou falar quem era.
DELÇO: Você é sexo maníaco?
DELCI LIMA: Não, o sexo é ótimo, é o que há de melhor para se fazer a dois.
DELÇO: A dois, até o homossexual?
DELCI LIMA: Eu sempre transei com mulheres, não tenho nada contra o homossexualismo. Sexo é muito complicado, cada um tem suas fantasias, suas vontades, seus desejos, tenho amigos que são homossexuais, mas cada um na sua, homossexualismo é opção, não me enchendo o saco, tá tudo bem.
DELÇO: Você pensa em sexo a todo momento?
DELCI LIMA: Não, eu não coloquei o sexo como minha primeira necessidade, eu não vivo com o sexo na cabeça. Sexo é bom, mas existem coisas tão boas quanto sexo em nossa vida.
DELÇO: Sexo é uma preocupação para você?
DELCI LIMA: Pra mim não, tenho amigos que só pensam em sexo, vivem e comem sexo, cada dia uma transa diferente. Uns sentem prazer no sexo, outros sentem prazer em contar, outros transam por afirmação, precisam provar que são homens. Estes se preocupam com o sexo, eu não, eu transo porque gosto e acho bom.
DELÇO: Doenças sexualmente transmissível, o que você acha?
DELCI LIMA: É um problema, meu ex-sócio Marinho Guzman dizia que quando a cabeça de baixo levanta, a de cima não pensa. Aí você encontra uma pessoa e vai logo transando com ela, uns até usam camisinha.
DELÇO: Você usa camisinha?
DELCI LIMA: Nunca gostei, mas acredito que todos devam usar. Sempre tive a preocupação de saber com quem saio, nunca saí com quem não tivesse a fim.
DELÇO: E você acha que as pessoas têm essa preocupação, não só com quem sai, mas também em relação a AIDS e outras doenças.
DELCI LIMA: Acho que não, muita gente transa como se as doenças sexualmente não existissem. Ela existe, é perigosa. Agora, é aquele negócio, na hora do vamos ver, o que as pessoas menos pensam é nas doenças. Aí dançou.
DELÇO: E as drogas, você já usou alguma vez?
DELCI LIMA: Não, jamais pus um cigarro na minha boca e, como falei, cresci numa rua onde todo mundo teve a mesma educação. Não se falava em droga, ninguém usava, só fui conhecê-la na faculdade. Lá muitos amigos fumavam maconha, cheiravam cocaína, mas nunca experimentei, nunca entrei nessa viagem.
DELÇO: Mas lhe ofereceram?
DELCI LIMA: Aqueles que não me conheciam sim, mas meus amigos sabiam que eu não curtia e me deixavam numa boa.
DELÇO: Você é contra ou a favor do uso da droga?
DELCI LIMA: Eu sou contra a droga, mas é preciso saber o que é droga. O mundo inteiro vem brigando contra o cigarro, alguns médicos o consideram uma droga, mas a indústria do tabagismo é mundialmente muito forte e não vai permitir que o cigarro acabe. A maconha é outra discussão, para uns é droga, para outros não, alguns médicos adotam a Cannabis como alternativa medicinal. Então, para mim, é preciso reclassificar o que é droga ou não.
DELÇO: E cada época tem sua droga.
DELCI LIMA: Pois é, na década de 60 era o LSD, depois a cocaína, a heroína, aí vem exctasy, o crack.
DELÇO: O que é preciso para acabar com essas drogas?
DELCI LIMA: Educação, controle, isso é problema social, depende da família, da sociedade e do governo. Acredito que a solução está difícil de ser encontrada. É igual a bebida, que é outra droga. Existe coisa pior do que um bêbado que enche o saco de todo mundo.
DELÇO: Já que você falou em bebida, fora aquele porre que você tomou lá na Bahia, você bebe muito?
DELCI LIMA: Não, tomo uma de cerveja uma vez ou outra, mas ela me deixa com sono. Whisky não posso nem sentir o cheiro.
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: Eu devo ter ficado bêbado umas 2 ou 3 vezes na minha vida. Da primeira vez eu me lembro muito bem. Estava apaixonado pela Vilma, e fomos a uma festa no Embu, na casa dos tios da Marlene e da Elezita, amigas da Rua9. Estava curtindo uma fossa dentro do fusquinha do meu irmão Altamiro, junto com o amigo Moacir, escutando Roberto Carlos. Aí descobrimos uma garrafa de Whisky Drurys.
DELÇO: Ouvindo Roberto Carlos, estava na fossa mesmo. Quantos anos você tinha?
DELCI LIMA: Uns 15, aí nós dois secamos a garrafa. Resultado, acabou a festa para mim, para o Moacir e para o meu irmão Altamiro, que teve que me levar para casa e me dar um banho frio. Depois desse dia, nunca mais tomei uísque.
DELÇO: E a Vilma, nunca soube disso?
DELCI LIMA: Acredito que ela nunca soube dessa história e eu nunca mais tomei uma dose de nenhum Whisky.
DELÇO: E das outras vezes?
DELCI LIMA: Foram sem importância, mas que eu lembre sou um bêbado simpático. O problema é que falo muito mais ainda. E não bebo porque detesto a ressaca, por isso só bebo, como se diz, socialmente. Jamais dei baixaria, e odeio quem vive dando baixaria por estar bêbado.
DELÇO: Então o que você bebe?
DELCI LIMA: Hoje vinho, cada dia mais estou conhecendo essa bebida, venho lendo, visitando vinícolas e aprendendo cada dia mais sobre eles.
DELÇO: Soube que você esteve no sudoeste da França, na cidade de Bordeaux e também na região da Borgonha na cidade de Beaune para conhecer sobre vinhos.
DELCI LIMA: Sim, estive em 1997 em Bordeaux com meus amigos Nano Filho e Marcio Moron e em 2015 fui com a Laura e a Luísa a cidade de Beaune, onde se produz um dos melhores vinhos brancos do mundo, foi uma experiência muito boa. E em 2018 estivemos na Toscana e fomos conhecer e provar um pouco do vinho da Vinícola Marchesi Antinori que produz um ótimo Chianti Clássico.
DELÇO: Qual sua uva preferida e vinho.
DELCI LIMA: Gosto de um bom Chardonnay, de preferência da Região da Borgonha. É claro que a Champanhe vai muito bem. Temos espumantes brasileiros muito bom, em casa não falta o Brut da Salton que gosto bastante. A Laura gosta dos tintos, dos encorpados como o Tanaat.
DELÇO: Pretende conhecer outras regiões?
DELCI LIMA: Sim, eu a Laura e a Luísa passamos o Réveillon de 2015/16 na Serra Gaucha especificamente em Bento Gonçalves.
DELÇO: Devem ter tomados vários vinhos, é claro você e a Laura.
DELCI LIMA: A Luísa tomou bastante suco de uva. Visitamos a casa Valduca, Miolo, Salton e muitas outras e compramos alguns vinhos. Eu provei e comprei um espumante muito bom da vinícola Legado.
* * *
POLÍTICA
Política está no sangue de todos nós.
Mas infelizmente uma grande parte dos políticos tem sugado todo do nosso sangue
DELÇO: Delci, mudando um pouco de assunto, vamos falar de política...
DELCI LIMA: Eu não falo de política.
DELÇO: Por quê? Não gosta ou você não entende?
DELCI LIMA: Eu não gosto, eu acho os políticos sem caráter.
DELÇO: Todos os políticos?
DELCI LIMA: Diria que a maioria é corrupta e um ou outro honesto se perde no meio. Não merecemos políticos assim, somos um povo maravilhoso e temos um país também maravilhoso.
DELÇO: Em quem você votou nas últimas eleições?
DELCI LIMA: Eu não votei em ninguém.
DELÇO: Você anulou o seu voto?
DELCI LIMA: Sim, eu anulei, não só nesta última eleição, mas em todas as outras.
DELÇO: Alguém diria: como uma pessoa bem-informada anula o voto? Isso não é falta de patriotismo?
DELCI LIMA: Não é uma questão de ser ou não patriota. Cumpro com os meus deveres como cidadão. Pelo fato de o voto ser secreto, você tem o direito de votar em um ou outro candidato, anular ou deixar seu voto em branco.
DELÇO: Você é filiado a algum partido?
DELCI LIMA: Não sou filiado a nenhum partido, e espero algum dia poder acreditar em um candidato ou partido para que possam receber meu voto.
DELÇO: E não teve ainda um candidato em que você acreditasse? Como foi sua primeira votação?
DELCI LIMA: Eu votei a primeira vez em 82, mas não num candidato e sim num partido. Foi no surgimento do PT. Nas eleições anteriores, havia apenas dois partidos, a ARENA e o MDB. Com a reforma partidária em 79, surgiram novos partidos como: PDS, PTB, PDT PMDB e o PT, que surgiu com o apoio dos movimentos sindicais do ABC. Havia uma grande expectativa de mudança, e o candidato do PT era o Luis Inácio da Silva, o Lula, líder sindical que vinha da classe trabalhadora.
DELÇO: Então você é petista?
DELCI LIMA: Não, votei no PT porque acreditava numa mudança.
DELÇO: E no Lula, você acreditava ou acredita?
DELCI LIMA: Não, não acreditava no Lula, não o achava preparado, em 82. O Lula mudou muito, se tornou em uma pessoa educada, bem-informada, mas se perdeu no meio do caminho e todos vimos no que deu. o PT nunca deu certo.
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: O PT, apesar da expectativa, já nasceu errado. Dizem que o PSDB é que fica em cima do muro, mas o PT nunca se achou, ele é de esquerda, mas existem uns petistas que são piores do que os conservadores da direita. É uma briga constante pelo poder que levou o PT para o buraco.
DELÇO: Você acreditou no Tancredo Neves, na Nova República?
DELCI LIMA: A princípio acreditei na Nova República.
DELÇO: E no Tancredo Neves?
DELCI LIMA: Não, não acreditei. Quando ele começou a fazer acordos com outros partidos e políticos eu senti que a Nova República não iria mudar a nossa vida, só iria mudar o nome.
DELÇO: Mas ele morreu antes de assumir a presidência?
DELCI LIMA: Não seria diferente. Olha bem, uma vez o Pelé disse que o povo brasileiro não sabia votar, e todo mundo caiu de pau nele. Eu concordo com o Pelé, o povo tem memória curta, eu não, por isso sei muito bem o que faço com o meu voto.
DELÇO: Explica melhor.
DELCI LIMA: Em 84, quando as eleições presidenciais foram decididas pelo Congresso, pelo PDS estava o candidato Paulo Maluf, que acreditava que um dia seria o Presidente da República, e do outro, pelo PMDB, Tancredo Neves. O que aconteceu? O Tancredo foi lá num partido novo, um tal de PFL, e chamou o seu presidente para ser o vice na sua chapa. Ora, esse vice nada mais era do que o José Sarney, que era presidente do PDS, da turma do Maluf. Aí o Tancredo morreu e o Sarney assumiu. Isso para mim é palhaçada, foi a partir daí que comecei a valorizar o meu voto, prefiro anular do que fazer o voto útil.
DELÇO: E no Fernando Collor?
DELCI LIMA: Ele disputou as eleições de 90 com o Lula, ganhou. Tinha o respaldo da maioria da população. Também anulei o meu voto, não acreditava em nenhum dos dois. Mas para mim, o grande problema do Collor foi ele querer governar sozinho.
DELÇO: Não entendi! você acabou de falar que não acreditou no Tancredo porque ele fez acordos, e diz que o problema do Collor foi não ter feito. Que política é essa?
DELCI LIMA: Eu não sou contra acordos, o problema é com quem fazer estes acordos. Na época do Tancredo, foi uma vergonha, é a mesma coisa o Maluf chamar a Erundina para ser a sua vice, ai não dá. Tudo bem.
DELÇO: Hum!
DELCI LIMA: Já o Collor foi arrogante, quis fazer tudo sozinho, esqueceu quem o ajudou, estava mal assessorado. O PC Faria foi um mal para ele, e depois o impeachment para mim foi o maior golpe de Estado que este país já teve.
DELÇO: Ô loco!
DELCI LIMA: É verdade, quem tirou o Collor foi meia dúzia de poderosos que estavam deixando de ganhar e resolveram tirá-lo. Mas que continuam mandando no país.
DELÇO: E a sociedade que foi às ruas, os cara-pintadas?
DELCI LIMA: Isso é babaquice, ela entrou na da imprensa. Os cara-pintadas foram uma piada. Aquela moçada nas ruas, estava matando aula, nem ligava com o que acontecia. Se você perguntasse para eles em quem eles votaram e qual era o partido do Collor, eles não sabiam, eles estavam namorando, se divertindo.
DELÇO: Mas eram estudantes, muitos universitários?
DELCI LIMA: Eram uns bostas, e o pior é querer compará-los aos movimentos estudantis da década de 60. Estes sabiam o que estavam fazendo lá. Agora os cara-pintadas estavam por influência da mídia, da agitação.
DELÇO: Que negócio é este de entrar na da imprensa?
DELCI LIMA: Este é um problema sério. O caso Collor deu muito poder à imprensa, tem muito jornalista pensando que é Deus, que pode sair julgando as pessoas.
DELÇO: Mas Delci, o papel dela não é noticiar?
DELCI LIMA: Você disse a palavra certa, ela tem de noticiar, em alguns casos até investigar e denunciar. Cada dia as manchetes são uma denúncia, só que na maioria das vezes ela não tem fundamento. A imprensa jamais deve julgar, esta não é a função dela.
DELÇO: E o que é isso, muito poder?
DELCI LIMA: Sem dúvida que é muito poder. Tem jornalista que pensa que é mais importante que a notícia e o pior é que muita gente acredita nele. Às vezes ele fala sem ter conhecimento dos fatos, o jornalista está deixando de ser repórter, de ir atrás da informação, das pessoas envolvidas. Ele está fazendo sua matéria por telefone, via internet, não está preocupado em ouvir os dois lados. Aí é a vaidade, é opinião dele, e isso é muito perigoso.
DELÇO: Você está bravo com a imprensa, você não gosta dela?
DELCI LIMA: Pelo contrário, eu também sou jornalista, é que naquela época era difícil acreditar nela.
DELÇO: E hoje dá para acreditar?
DELCI LIMA: A imprensa política mudou muito dos anos 80 para cá. Hoje ela está mais séria, tem jogado muita merda no ventilador, mas pelo menos parou de julgar.
DELÇO: Mas você acredita no Brasil?
DELCI LIMA: Sempre acreditei, o Brasil é um dos melhores lugares do mundo para se viver. O que está nos matando são os políticos, mas só nós podemos resolver isso. É preciso você saber em quem está votando, e cobrar isso é fácil, é só votar nele de novo ou não na próxima eleição. Assim ele saberá que está sendo vigiado.
DELÇO: Então você é a favor da reeleição?
DELCI LIMA: Sou a favor, quem é bom tem que permanecer, quem não for tem que ir para a rua. Veja o Presidente Fernando Henrique Cardoso, acredito que fez um bom governo e foi reeleito, o mesmo aconteceu com o Lula, fez um governo para o povo e teve uma das melhores avaliações entre todos os presidentes chegando a ter 84% de aprovação do seu governo e acabou sendo reeleito.
DELÇO: Mas no governo do Lula ele elegeu a Dilma e deu no que deu.
DELCI LIMA: Pois é, não deveriam tê-la reeleita.
DELÇO: E o Governo Bolsonaro, o que voce acha?
DELCI LIMA: Igual aos outros, muda somente o nome, ele pode até ser bem intencionado, mas não estava preparado para ser Presidente, tem feito muita merda e fala muita besteira, acredito que se ele tentasse governar de verdade iria fazer um bom governo, mas esta difícil.
DELÇO: 2 impeachments em menos de 30 anos é muito.
DELCI LIMA: Pois é, a operação Lava Jato, tem feito coisas improváveis, é verdade que pode ser bom ou ruim para o país, mas tem os seus méritos.
DELÇO: Nunca neste país tantos políticos e poderosos estiveram presos e em situação delicada. O que você acha disso.
DELCI LIMA: Como eu disse a imprensa quando é séria pode ajudar muito, o STF tem trabalhado muito e mostrado a cara dos políticos. Temos que ter certeza de que não existe ninguém acima da Lei.
DELÇO: Falando em STF, você dirige um programa sobre Direito?
DELCI LIMA: Sim, desde maio de 1999, a convite do saudoso amigo professor Roney Signorini e do professor Edvaldo Alves da Silva estou na Direção do Programa Código de Honra que era uma parceria do Faculdade de Direito da FMU e do IASP e passava na TV Justiça.
DELÇO: Não é mais?
DELCI LIMA: Foi até 2014. Hoje e do IASP e do Tribunal de Justiça de São Paulo com produção da LZ12 Comunicação.
DELÇO: Como é esse programa
DELCI LIMA: É um programa de entrevistas, já produzimos e veiculamos mais de 800 programas. São 22 anos seguidos, onde tive o prazer de conhecer e entrevistar através dos programas, presidentes da República, governadores, prefeitos, ministros, senadores, muitos desembargadores e advogados de suma importância para o pais.
DELÇO: Um bom relacionamento e conhecimento.
DELCI LIMA: Sem dúvida, um grande aprendizado, e muitos deles atendem ao meu telefonema o que é muito bom.
DELÇO: Para quem não fala de política, até que falou muito. (risos)
DELCI LIMA: É verdade.
DELÇO: Olha aí, você poderia ser um bom político, nunca pensou.
DELCI LIMA: Nada disso, é muita sujeira, jamais conseguiria ser político, e estou bem onde estou.
* * *
TRABALHO
Quanto antes voce descobrir o que quer ser quando crescer
vai te ajudar muito. O importante é gostar do que faz.
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DELÇO: Conta um pouco sobre seu trabalho e como você começou.
DELCI LIMA: Comecei a trabalhar muito cedo. Desde pequeno, eu e o meu amigo Marco Monaco, com uns 10 anos, já íamos para Pinheiros passear e sempre com o nosso dinheiro. Era dinheiro que juntávamos vendendo jornal, ferro-velho, trabalhando no mercadinho da dona Donatila. Desde cedo eu soube o valor do dinheiro.
DELÇO: Mas trabalhar mesmo você começou com quantos anos?
DELCI LIMA: Com 13 anos eu fui trabalhar de entregar leite Leco em São Bernardo dos Campos. Meu vizinho Armando de Sá me chamou para trabalhar com ele. Começávamos a entregar leite uma hora da madrugada e acabávamos às sete da manhã.
DELÇO: Com 13 anos, você precisava trabalhar?
DELCI LIMA: Não, até os 18 anos, quando meu irmão Altamiro resolveu casar, eu não precisei trabalhar. Fui porque o Armando era um daqueles amigos da Rua9.
DELÇO: Quanto tempo você entregou leite?
DELCI LIMA: Não lembro direito, mas não foi muito, dois ou três meses, aí ele arrumou um garoto e eu saí.
DELÇO: O que mais você fez?
DELCI LIMA: Comecei a trabalhar no mercadinho da dona Marlene na minha rua, que antes era da dona Donatila, depois fui vender doces numa construção de prédios próximo ao meu bairro, o Portal do Morumbi. Eu vi aquilo ser construído e hoje é um bairro bem elegante.
Naquela época não havia nada na região, era puro mato e aquilo acabou com nosso campo de jogar bola. Fizeram o Portal do Morumbi no nosso campo de futebol. Hoje a Av. Giovanni Gronchi que era uma rua de terra, virou uma cidade.
DELÇO: E quando você foi office-boy, todo mundo já foi office-boy um dia na vida.
DELCI LIMA: Em março de 1977 consegui meu primeiro emprego registrado como office-boy na GG, uma firma têxtil que ficava em Pinheiros.
DELÇO: Por que, não fica mais?
DELCI LIMA: Coisas do Maluf: a GG ficava na Rua Coropés, que hoje não existe mais, é a continuação da Faria Lima.
DELÇO: Quanto tempo você trabalhou de boy?
DELCI LIMA: Um ano, depois fui promovido a auxiliar de escritório. Tinha 15 anos e a seguir fui ser gerente de restaurante.
DELÇO: Gerente de restaurante?
DELCI LIMA: É, meu patrão abriu um restaurante e as coisas lá não andavam muito bem. Estava de férias, um dia ligaram para minha casa e disseram: “Delci, a partir de amanhã você começa a trabalhar no L’auberge.”
DELÇO: L’auberge?
DELCI LIMA: Era um restaurante de cozinha libanesa muito luxuoso, tipo 5 estrelas. Eu estava de férias, não podia voltar a trabalhar no dia seguinte.
DELÇO: E o que você disse?
DELCI LIMA: Eu disse isso.
DELÇO: E eles o que falaram?
DELCI LIMA: Ou você começa amanhã ou está despedido. Eu comecei no dia seguinte, tive meu salário dobrado, mas passei a trabalhar aos sábados e domingos.
DELÇO: Salário dobrado?
DELCI LIMA: Salário dobrado, era muito dinheiro para um garoto de 16 anos.
DELÇO: Quanto?
DELCI LIMA: Valores eu não lembro, mas era muito, sei que ganhava o dobro do que meus amigos que trabalhavam nos Bancos Safra e no Bradesco.
DELÇO: Então não era muito (risos), brincadeira! E aí o que aconteceu?
DELCI LIMA: Aconteceu muita coisa. O restaurante era novo, tinha poucos fregueses, a comida era boa, mas cara e as despesas eram altas. Não havia controle nenhum.
DELÇO: E o que você fazia para controlar isso.
DELCI LIMA: Não fazia muita coisa, no dia 10 meu patrão fazia um cheque e eu pagava as contas.
DELÇO: Quanto tempo durou isso?
DELCI LIMA: Uns 6 meses, aos poucos, junto com a Dona Yone, (filha do senhor Georges) ajudei a arrumar a casa, os fregueses apareceram e o dinheiro também. Um mês antes de ir embora, o restaurante já dava lucro. A partir daí meu patrão parou de fazer cheque e, pelo contrário, cheguei até a depositar dinheiro em sua conta.
DELÇO: Quem era seu patrão?
DELCI LIMA: Georges Gazale.
DELÇO: O amigo do presidente Figueiredo.
DELCI LIMA: Sim, o amigo do presidente João Batista Figueiredo.
DELÇO: Você conheceu o Presidente Figueiredo?
DELCI LIMA: Pessoalmente não, mas como o Gazale fazia do restaurante o ponto de encontro para seus negócios, falava diariamente com ele por telefone, e em todas as vezes ele foi muito simpático comigo. O Sr. Georges falava muito do presidente para mim. Aprendi a gostar do presidente.
DELÇO: Mesmo com as mancadas que ele deu?
DELCI LIMA: Mesmo com as mancadas, eu conheci o outro lado do presidente, eu conheci o lado amigo. Às vezes ele falava comigo como se nos conhecêssemos, e eu só tinha 16 anos. O presidente Figueiredo deu um passo importante para a democracia. Deu início à Abertura e isso foi muito bom para o país e para muita gente.
DELÇO: Foi bom trabalhar lá?
DELCI LIMA: Foi ótimo, eu venho de uma família simples, nasci e me criei com pessoas simples. Ter passado pelo L’auberge me mostrou cedo um outro lado da sociedade. Pelo restaurante passou muita gente importante e famosa que tinha muito dinheiro e sempre me trataram com muito respeito para um garoto de 16 anos.
DELÇO: E saiu de lá por quê?
DELCI LIMA: Eu sempre soube por que saí do L’auberge. Eu ganhava muito bem, dava até para casar (risos). Tinha um emprego muito bom para a minha idade, trabalhava com a dona Yone, um dia decidi sair.
DELÇO: Por que esta loucura?
DELCI LIMA: Para mim não era uma loucura e tinha boas razões, estava consciente do que queria, por isso nunca me arrependi.
DELÇO: Quais eram estas razões?
DELCI LIMA: Eram duas, a primeira porque comecei a assumir responsabilidade demais com 16 anos, era uma carga muito grande. Ligavam para minha casa a toda hora para que resolvesse todos os problemas do restaurante.
DELÇO: Você não era responsável?
DELCI LIMA: Sempre fui e ainda sou. A segunda razão foi porque começou a despertar o interesse pelo futebol.
***
JOGAR FUTEBOL
Minha grande paixão até os meus 22 anos de idade.
DELÇO: Você largou um emprego seguro para jogar futebol?
DELCI LIMA: É mais ou menos isso. Eu era muito elogiado, jogava muito bem, muita gente dizia que devia ser jogador de futebol, que iria ser um craque, ganhar muito dinheiro.
DELÇO: Você estava com 16 anos?
DELCI LIMA: Quase 17, aí os elogios passaram a ser mais freqüentes e decidi parar de trabalhar e jogar futebol.
DELÇO: Ai você pediu a conta e foi jogar bola. Na sua casa, como sua mãe e seus irmãos reagiram?
DELCI LIMA: Ninguém gostou. A dona Yone fez de tudo para eu ficar, me ofereceu aumento, me tirou o sábado e domingo. Ela gostava muito de mim. Minha mãe não se conformou, mas depois conversamos e ela entendeu. E meus irmãos foram sempre maravilhosos.
DELÇO: E foi ser jogador de futebol. Eu nunca o vi jogando nem no Morumbi nem no Maracanã.
DELCI LIMA: É, não joguei nem no Morumbi nem no Maracanã.
DELÇO: Não deu certo, deve ter sido duro para você.
DELCI LIMA: É, não deu certo, cheguei a fazer teste no Santos e no Corinthians, mas a panelinha era maior do que eu esperava.
DELÇO: Isto o deixou frustrado?
DELCI LIMA: De forma nenhuma eu sabia que jogava bem, isso era importante para mim, eu tentei, fiz a minha parte, talvez não tenha insistido muito e não dei sorte.
DELÇO: Sorte, você acredita em sorte.
DELCI LIMA: É claro que acredito em sorte, sem sorte a gente não vive, você precisa ter sorte no trabalho, na família, no amor, em tudo. Conheço tanta gente boa, com tanto talento e profissionalismo que não teve sorte. O futebol é um grande exemplo, joguei com tantas pessoas boas que poderiam ter jogado em qualquer clube grande do Brasil, mas não tiveram sorte e continuaram jogando na várzea. Por outro lado, vejo tanto perna-de-pau ganhando fortuna com o futebol.
DELÇO: Você tinha futebol para jogar num time grande?
DELCI LIMA: Isso posso falar sem vaidade nenhuma: tinha futebol bonito, poderia jogar no Palmeiras, Santos, Corinthians ou São Paulo e se isso tivesse acontecido, com certeza teria chegado à Seleção Brasileira. Não só eu, meu amigo Amauri também foi um grande jogador.
DELÇO: Quem foi ou é o melhor jogador para você?
DELCI LIMA: Zico.
DELÇO: E o Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo, sem contar o Pelé?
DELCI LIMA: O Pelé não vale, ele não pode ser comparado a ninguém e depois eu vi poucas partidas dele. Lembro-me de vê-lo jogar no Morumbi com o meu Santos quando tinha Cejas, Carlos Alberto, Clodoaldo, Nenê, Edu, Brecha.
DELÇO: Então você é viúva do Pelé?
DELCI LIMA: Não tenho idade para isso, vi o Pelé jogar no máximo 5 vezes. Eu era muito pequeno, não entendia muito de futebol. Ia ao Morumbi porque meu irmão Pina me levava. Acredito que passei a ser santista porque ganhei um uniforme do Santos, e por causa dos jogos de botões. Eu tinha um jogo de botão do Santos com todos esses jogadores.
DELÇO: Lembra da escalação?
DELCI LIMA: Não, não lembro.
DELÇO: Você falou que o melhor jogador foi o Zico, explica essa escolha e diga o melhor time que já viu jogar.
DELCI LIMA: O Zico já é da minha geração, foi o melhor jogador do Flamengo, ganhou todos os títulos que disputou, menos a Copa do Mundo. No tempo em que jogou foi o melhor jogador. Tem também o Maradona, que foi genial. Assim eu diria que vem uma série de outros craques, como o Platini, Rivelino, Zidane, Cruyff, Beckenbauer.
DELÇO: E o Sócrates, Júnior, Falcão, Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho, Kaka.
DELCI LIMA: Sem dúvida nenhuma jogadores maravilhosos, mas Zico e Maradona estão acima deles. Eu diria que tem o Pelé que não conta, aí vem pela ordem, o Zico, Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldo e o Neymar. Depois um monte de outros craques.
DELÇO: E o time?
DELCI LIMA: O Flamengo de 80 e 81, posso errar, mas era Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior, Adílio, Andrade, Zico e no ataque Lico, Tita e Nunes. Jogava por música, foram campeões do mundo no Japão. O outro time foi a Seleção Brasileira de 82, aquele time se tivesse ganho a Copa da Espanha teria sido a melhor seleção do mundo de todos os tempos, teria superado a de 70. A seleção de 82 eu sei de cor: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo e Zico, Serginho e Éder.
DELÇO: Tem boa memória, e os 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo do Brasil?
DELCI LIMA: Momento triste da Seleção Brasileira, o futebol brasileiro não merecia isso, mas estamos falando de futebol que é uma paixão por esses motivos. Emoção, como deve ter sido muito triste para a Alemanha ter saído na primeira fase da Copa da Russia.
DELÇO: Bem, voltando para você, desistiu de jogar futebol profissional.
DELCI LIMA: Sim, desisti, tentei o futebol profissional por um ano, não deu certo, desisti.
DELÇO: Esqueceu o futebol ou contínua jogando?
DELCI LIMA: Continuo jogando, mas não como antigamente, antes eu jogava de segunda a segunda, sentia o maior tesão em jogar bola.
DELÇO: Perdeu o tesão?
DELCI LIMA: Pela bola perdi um pouco (risos). Jogava todos os dias, mas comecei a pensar um pouco em outras coisas, em estudar e deixei um pouco a bola de lado.
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: Muitas coisas me fizeram deixar o futebol de lado. Sempre fui um jogador quieto, não falava em campo, jogava minha bola, era elogiado e ia embora, sempre foi assim. O esporte coletivo é engraçado, as pessoas põem a culpa de seus erros nos outros. Um errava e colocava a culpa no outro, isso me deixava puto. Também comecei a estudar e viajar, antes não viajava para poder jogar bola.
DELÇO: Seu time ou clubes por onde jogou eram bons?
DELCI LIMA: Jogava em time médio, jogava futebol de salão com alguns amigos de colégio, que eram bons, como o Altivo, o Zé Fernandes, joguei uns 10 anos futebol de campo no Brasilzinho dos meus amigos, Marcão, Thim, Onor, Maranhão, meu irmão Zé. Deste time, eu, Amauri, o Mé, o irmão dele o Serginho poderíamos ter sido jogadores profissionais, jogávamos muito bem. E depois joguei por 15 anos em Jundiaí com os amigos da faculdade. O time era organizado pelo Reinaldo Duque e era um bom time. O Caco que jogava comigo em Jundiaí foi sem dúvida nenhuma o típico caso de falta de sorte. Foi um dos melhores centroavantes com quem joguei e já vi jogar.
DELÇO: Você mais ganhou ou perdeu?
DELCI LIMA: Olha, acho que coletivamente empatei, mas individualmente sempre fui um vencedor.
DELÇO: Como assim?
DELCI LIMA: Eu sempre era elogiado, sempre reconheciam meu futebol, foi assim durante muito tempo, mesmo quando meu time perdia eu era elogiado, e sempre recebia convites para jogar em outros clubes.
DELÇO: Da várzea?
DELCI LIMA: A maioria vinha de clubes da várzea.
DELÇO: Nunca surgiu um convite para o profissional?
DELCI LIMA: Sim, apareceu.
DELÇO: Quem o convidou?
DELCI LIMA: Bem, assim que sai do L’auberge, fui fazer um teste no Santos. O técnico da molecada era o Coutinho. Treinei umas duas vezes, e não deu mais para ir até Santos, era muito longe. No Corinthians fui treinar por indicação do Presidente Vicente Matheus.
DELÇO: Belo cartucho.
DELCI LIMA: Meu irmão Altamiro conhecia a filha dele a dona Dalva. Ela me apresentou ao presidente. Eu lembro como se fosse hoje. Fui com o meu irmão Zé numa reunião no escritório do Vicente Mateus no Tatuapé. Ele chegou na sua Mercedes, se apresentou, perguntou pelo meu irmão, e foi direto ao assunto: “ é você que vai treinar aqui no meu clube? “Disse que sim e ele perguntou em que posição eu jogava. Falei que era meia-esquerda e, brincando, ele disse que não dava para me contratar porque tinha acabado de fechar o contrato e trazer o Zenon, que também era meia esquerda e estava vindo da Arábia Saudita.
DELÇO: E por que não deu certo?
DELCI LIMA: Acredito que por orgulho.
DELÇO: Por orgulho?
DELCI LIMA: Hoje, com certeza, não me comportaria daquela maneira, mas é vivendo que aprendemos. Fiquei uma semana no Corinthians, mas existia uma panela tão grande lá que me incomodava profundamente, e jamais deixei que soubessem que estava lá por indicação do presidente. Aí por orgulho, peguei minha chuteira e tirei o time de campo.
DELÇO: Se arrepende?
DELCI LIMA: Não, mas foi puro orgulho, e hoje sigo o conselho do meu amigo Marinho Guzman que diz: “Cuidado com a falta e o excesso de orgulho, os dois são altamente prejudiciais”.
DELÇO: E o convite profissional, quando foi?
DELCI LIMA: Quando trabalhava no Unibanco, eu fazia parte da seleção do nosso departamento e viajávamos muito para jogar contra outras agências. Neste período conheci muito o interior de São Paulo. Uma vez fomos jogar em Ribeirão Preto. Chegamos no sábado, jogamos futebol de salão e ganhamos O futebol de campo seria no domingo. Eu não conhecia Ribeirão Preto e pedi ao meu técnico para visitar um amigo e voltaria no domingo.
DELÇO: Um amigo em Ribeirão ou tomar um chope no Pinguim?
DELCI LIMA: O Luiz Jacob, amigo da Rua9, que estava fazendo medicina na USP de Ribeirão e morava em uma república. O técnico deixou e eu fui procurá-lo.
DELÇO: Ai você aproveitou para fazer um teste no Comercial e no Botafogo?
DELCI LIMA: Fui visitar o Luiz, passei a noite numa festa que foi organizada pelas amigas dele que moravam em outra república. Tomamos muito vinho quente e comemos muito queijo, estava frio naquela noite. Voltamos para a república, dormimos e logo de manhã fui para o hotel. Quando cheguei lá, não havia mais ninguém, nem minhas roupas.
DELÇO: O jogo não seria em Ribeirão Preto?
DELCI LIMA: Ia ser numa cidade próxima uns 12 km, Monte Azul. Peguei um táxi e fui para lá. Quando cheguei, o jogo já tinha começado, estava acabando o 1º tempo.
DELÇO: E aí?
DELCI LIMA: Levei uma puta bronca do técnico, que disse: “se troca e entra para mudar o placar”.
DELÇO: Quanto estava o jogo?
DELCI LIMA: 4 a 0 para eles.
DELÇO: 4 a 0! ô loco! Você mudou?
DELCI LIMA: Não, o jogo acabou 8 a 0
DELÇO: Aí caíram de pau em cima de você?
DELCI LIMA: De jeito nenhum, acontece que nós jogamos contra uma seleção. No sábado haviam jogado Comercial e Botafogo em Ribeirão e os jogadores do Comercial dispensados, jogaram no domingo contra nós. Foi uma covardia.
DELÇO: E como pintou o convite?
DELCI LIMA: Depois do jogo houve um almoço para todos e ficamos sabendo que eram jogadores do Comercial e amigo do gerente da agência local do Unibanco, isso foi covardia. kkk. Num determinado momento, se aproximou um senhor e começou a conversar comigo.
DELÇO: Quem era ele?
DELCI LIMA: Era o tecnico do Comercial, perguntou porque não tinha jogado no primeiro tempo e disse que gostou muito do meu futebol. Ficamos conversando e ele me fez o convite.
DELÇO: Oficial?
DELCI LIMA: Sim, disse que se aceitasse teria com certeza lugar no time principal.
DELÇO: E você não aceitou?
DELCI LIMA: É, eu não aceitei, apesar de o Comercial e o Botafogo estarem muito bem no Campeonato Paulista, eu não aceitei.
DELÇO: Não era uma boa oportunidade?
DELCI LIMA: Era, mas estava cursando o 2º ano do curso de Publicidade na Faculdade FIAM, pensei bem, sabia que era duro se adaptar numa cidade do interior e recusei.
DELÇO: O convite apareceu na hora errada?
DELCI LIMA: Com certeza o convite apareceu na hora errada. Com o passar dos anos, percebi que os elogios, apesar de serem ótimos para mim, aconteceram na hora errada e foram feitos por pessoas erradas. Se tivesse sido elogiado pelas pessoas certas, com certeza teria jogado no Morumbi e no Maracanã e por muitos outros estádios pelo mundo.
DELÇO: Você era um craque?
DELCI LIMA: Em alguns momentos jogava como um craque, mantinha sempre uma boa regularidade nos jogos, e sempre decidia. Em campo eu fazia a diferença.
DELÇO: E hoje ainda continua jogando futebol?
DELCI LIMA: Esquecer ninguém esquece, só que estou completamente fora de forma, jogo somente em ocasiões especiais.
DELÇO: Você começou a falar do seu trabalho e de repente pintou o futebol. O que você fez depois do L’auberge, além de tentar ser jogador profissional?
DELCI LIMA: Fui ser bancário.
DELÇO: Bancário! Eu adivinho, Bradesco.
DELCI LIMA: Unibanco. Trabalhava de madrugada para poder treinar de manhã.
DELÇO: De madrugada! Você não falou que não precisava trabalhar?
DELCI LIMA: É, eu não precisava, mas um dia meu irmão Altamiro resolveu casar e ele sempre dizia que só casaria no dia em que eu estivesse trabalhando. Eu era o mais novo, por isso me orgulho dele. Só saiu de casa quando realmente sentiu que dava para a gente segurar a barra. Ele tinha 45 anos. Eu comecei a trabalhar no Unibanco dia 3 de dezembro de 80 e ele casou no dia 19 de dezembro. Trabalhei 5 anos e 8 meses no Unibanco.
DELÇO: Todo esse tempo de madrugada?
DELCI LIMA: Os 3 primeiros anos, os outros foram das 7 horas da noite até uma da madrugada.
DELÇO: Por que nesse horário não muito convencional?
DELCI LIMA: Primeiro, acreditava dar tempo para poder treinar. Cheguei a trabalhar de madrugada, viajar para Santos, treinar e voltar a trabalhar de madrugada.
DELÇO: E dormia quando?
DELCI LIMA: No ônibus, ou até no serviço (risos)
DELÇO: Isso durou muito?
DELCI LIMA: Não chegou a ser um ano e depois eu voltei a estudar. Havia parado um ano, comecei a fazer faculdade e o horário até me ajudou.
DELÇO: Como o horário o ajudou?
DELCI LIMA: Quando entrei na faculdade para fazer Publicidade, eu trabalhava à noite, tive sorte de arrumar estágio logo no primeiro ano. Estudava de manhã, estagiava à tarde e trabalhava à noite. Foi assim durante vários anos, até sair do banco e ficar estudando e estagiando.
DELÇO: Por que não continuou no Unibanco?
DELCI LIMA: Não tinha intenção de ser um bancário publicitário (risos)
DELÇO: Você não gostava do Unibanco, perdeu muito tempo lá?
DELCI LIMA: O banco foi importante, devido ao horário me permitiu estudar e estagiar. Aprendi muita coisa estagiando nas agências de publicidade. Se aprendi pouco no banco, também não perdi tempo, precisava do salário que recebia, e com certeza foi o momento em que mais li.
DELÇO: Então você não trabalhava, ficava lendo?
DELCI LIMA: Mais ou menos isso. Nos últimos dois anos assumi nova função na seção, o que me permitia passar a noite inteira lendo.
DELÇO: O que você lia?
DELCI LIMA: Li muito romance, principalmente Sidney Sheldon, li todos.
DELÇO: De qual você mais gostou?
DELCI LIMA: O Reverso da Medalha e A Herdeira são ótimos.
DELÇO: Quem mais você leu?
DELCI LIMA: Irving Wallace, Agatha Christie, outros de que não lembro o nome.
DELÇO: Destes autores e romances, de qual você mais gostou?
DELCI LIMA: Gosto muito do Sidney Sheldon, mas o romance que mais gostei é o Caim e Abel, de Jeffrey Archer. Li muitos livros dele, como A Filha Pródiga, que é a continuação de Caim e Abel.
DELÇO: Só leu romances?
DELCI LIMA: Neste período do Unibanco sim, meu interesse era só por romance.
DELÇO: Você não acha que romance é coisa de mulher. (risos).
DELCI LIMA: Não, um romance é igual a novela, quando é bom todo mundo gosta.
DELÇO: Além do horário e de ler livros, tinha alguma coisa mais interessante no banco?
DELCI LIMA: Não.
DELÇO: Nem os amigos?
DELCI LIMA: Poucos, apesar de trabalhar quase 6 anos. Quando saí muita gente apostava em mim, uns me chamavam de escritor, porque eu ficava a noite inteira lendo e às vezes escrevendo. Tentei manter as amizades, ligava para convidar para sair, para jantar, mas o interesse era só meu e foi acabando.
DELÇO: Eram seus amigos?
DELCI LIMA: Eram os que estavam mais próximos e nos divertíamos bastante nas madrugadas. O Yuri esteve em casa uma vez, colocamos a conversa em dia, ai sumiu, nunca mais o vi. No mesmo período falei por telefone com o Chicão, na época ele trabalha no Carrefour, já o Humberto não sei, espero um dia poder encontrar com ele.
DELÇO: E depois que você saiu do banco, o que foi fazer?
DELCI LIMA: Eu estava fazendo o 3º ano de Publicidade e resolvi continuar estagiando. Na SGB Propaganda, fiquei 3 meses, aprendi muita coisa, pensei ter aprendido tanto que decidi jamais ir trabalhar numa agência de Publicidade, a não ser que fosse minha. Isso era no 1º ano de faculdade. Estagiei também na CBP- Companhia Brasileira de Publicidade, na Artpam da Av. Brasil e nas editoras das revistas Engenharia Mackenzie e Guia Hotel do Brasil e também na própria faculdade. Nestes dois últimos eu ganhava.
DELÇO: Você trabalhava de graça?
DELCI LIMA: Isso não é novidade, estagiei quase um ano de graça, só no Guia Hotel do Brasil e na FIAM é que recebia.
DELÇO: Mas você não estava cursando, como fez estágio na FIAM?
DELCI LIMA: Depois de ficar 4 anos na loucura, aula de manhã, estágio à tarde e trabalho à noite, comecei a trabalhar na FIAM como assistente de câmera a convite do Diretor, o professor Roney Signorini. Fiquei 6 meses recebendo um salário e tinha uma bolsa de estudo. Lá aprendi um pouco sobre produção de telejornais e programas jornalísticos. Aprendi também a editar e dirigir programas para televisão.
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Brasil Futebol Clube 
Onde tudo começou - Inicio dos anos 80
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FASP - Futebol Amigos de São Paulo - 1987
Time do amigo da turma da FIAM -  Reinaldo Duque 

 

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Brasilzinho 
Marcos Marinho (Artime) - Meu irmão Zé - E o craque (eu)
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Até no gol eu era bom. A foto diz tudo.
MARINHO GUZMAN
Um sócio que virou um grande amigo de coração e para sempre.
Me ensinou que eu poderia ser alguém e fazer a diferença.
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DELÇO: Como você conheceu o Marinho Guzman?
DELCI LIMA: Eu fui trabalhar no Status Studio.
DELÇO: O Studio era seu.
DELCI LIMA: Não, eu era um pseudo-sócio (risos)
DELÇO: Que era isso, pseudo-sócio?
DELCI LIMA: Era como me definia, acontece que fui convidado pelo Marinho Guzman para trabalhar no Status Studio como Diretor de Marketing.
DELÇO: Diretor de Marketing, que prestígio! O Studio deveria ser grande para você ter esse cargo.
DELCI LIMA: Nada disso, era um Studio pequeno, fazia Books, fotos para modelos, minha função era divulgar as fotos das modelos na imprensa. Fiz um cartão de visita, Delci Lima, Diretor de Marketing. Era engraçado e dava prestígio, todo mundo acreditava.
DELÇO: Com quem você trabalhava no Studio?
DELCI LIMA: O Studio era uma sociedade entre Marinho Guzman e Carlinhos Duque, da Rede de postos de gasolina Duque. Ai o Marinho convidou dois amigos para fotografarem com ele, o Waldo e o Johnny. Nós 4 tocávamos o Studio.
DELÇO: Você ganhou dinheiro no Studio?
DELCI LIMA: Não.
DELÇO: Também trabalhou de graça no Studio?
DELCI LIMA: Lá era diferente, fiquei mais do que um ano no Studio e recebia o suficiente para algumas despesas, como almoço e condução. Mas foi vantajoso porque aprendi muito.
DELÇO: Aprendeu o que e com quem?
DELCI LIMA: Aprendi com o Marinho, porque o Waldo e o Johnny foram embora e ficamos só nós dois. Neste momento passamos a trabalhar mais.
DELÇO: Passou a ganhar mais?
DELCI LIMA: Apesar da saída dos dois, nossas despesas eram muito grandes, tínhamos que pagar laboratorista, maquiador, office-boy, recepcionista, era um sufoco, havia mês em que até faltava dinheiro. Mas como disse, aprendi muita coisa. O Marinho foi um cara maravilhoso, gostava muito de ler, e a partir de um determinado momento, começou a me passar todos os livros que lia.
DELÇO: E o que vocês leram?
DELCI LIMA: Muita biografia, saí do romance para desvendar a vida dos outros, como Lee Iaccoca da Ford e Crysler, Akio Morita da Sony, Roger Enrico da Pepsi, Roger Smith da GM, Ray Kroc da Mc’Donalds, Donald Trunp, Bernard Tapie, Frank Sinatra, Michael Jackson.
DELÇO: Só biografias?
DELCI LIMA: Não, o Marinho lia de tudo, só que neste momento estávamos lendo também livros sobre marketing. Lembro que, no dia do meu aniversário, ele me deu 5 livros de marketing e disse que depois teríamos que discuti-los. Nós acabávamos de nos formar em Publicidade e estávamos brincando de adquirir conhecimento através dos livros.
DELÇO: E aprendeu?
DELCI LIMA: E como, tinha um livro chamado Marketing de Guerra, do qual muitas vezes utilizamos algumas técnicas para o Studio. Também foi a partir daí que comecei a ler as entrevistas da revista Playboy.
DELÇO: Para ver as mulheres, fala verdade?
DELCI LIMA: Até hoje digo que comprava a Playboy para ler as entrevistas e ninguém acredita (risos), mas é verdade. Li também muitas entrevistas que vinham semanalmente no jornal Folha da Tarde. Tudo isso me deu um pouco mais de noção sobre administração e marketing, foi ótimo.
DELÇO: O Marinho era publicitário?
DELCI LIMA: Ele sempre foi fotógrafo, apesar de ser formado em Direito, Jornalismo e em Publicidade. Gostava de tudo, tinha muitas ideias, era completamente louco e dono de uma criatividade fascinante. Lembro também que discutíamos muito sobre televisão. Às vezes ficávamos horas discutido sobre as loucuras do Silvio Santos, como ele mexia na programação, como ele prestigiava a Globo em favor do SBT.
DELÇO: Você fotografava também?
DELCI LIMA: Não, até hoje não aprendi a fotografar.
DELÇO: E o que você fazia?
DELCI LIMA: Fazia de tudo, segurava todas, desde uma lâmpada queimada até o pagamento dos salários. Cada dia tinha um pepino, em certo momento parecia que eu já tinha visto aquela novela lá no L’auberge.
DELÇO: E o Marinho trabalhava?
DELCI LIMA: Ele sempre disse que não queria trabalhar, mas depois que o Waldo e Johnny foram embora, ele também segurou todas. Até a fotografou homens, o que ele nunca tinha feito na vida. (risos)
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: Ele nunca gostou, né. Ele queria era comer as menininhas.
DELÇO: E comia?
DELCI LIMA: Comia todas.
DELÇO: E você comia todas também?
DELCI LIMA: Todas não.
DELÇO: Por que, não era muito chegado?
DELCI LIMA: Que é isso, é que eu as achava idiotas, se vendiam por muito pouco e eu detesto pessoas assim.
DELÇO: Que se vendem por pouco?
DELCI LIMA: Não, é porque eram idiotas mesmo.
DELÇO: Quantas modelos vocês fotografaram?
DELCI LIMA: Durante 3 anos de Studio fotografamos aproximadamente 1.500 meninas.
DELÇO: É muita mulher. Por que fecharam o Studio?
DELCI LIMA: Na verdade o Studio nunca deu dinheiro, era tudo festa, tinha noitada e concurso a toda hora. O Marinho resolveu fazer outras coisas e me chamou para ser sócio.
DELÇO: O quê?
DELCI LIMA: Começamos a trabalhar com telefones, montamos um estacionamento que nos deu um bom dinheiro e abrimos um jornal de bairro.
DELÇO: Jornal?
DELCI LIMA: Um dia cheguei para ele e disse, vamos fazer um jornal de bairro aqui para o Jardins. E sem saber como fazer um jornal, criamos o Monday News. Ele era quinzenal, com tiragem de 5.000 exemplares. Estava me formando em Jornalismo, e apesar de nunca ter gostado de impresso, fiz 18 edições. Isso foi o meu início no jornalismo e já comecei como editor, aprendendo na marra.
DELÇO: Valeu a experiência com o impresso?
DELCI LIMA: Olha, pra mim foi fundamental. É aquela coisa, é na prática que se aprende. Na primeira edição do Monday, o Marinho me disse, “se você fizer 6 edições, eu lhe dou um carro “.
DELÇO: Um carro?
DELCI LIMA: Isso mesmo, um carro, e vou lhe contar, nem cheguei a fazer a segunda edição e ganhei meu primeiro carro, uma Saveiro 86.
DELÇO: Belo presente.
DELCI LIMA: Sem dúvida, mas o importante foi o respeito que conquistei. As últimas edições eu fiz junto com a minha amiga de faculdade Cristiane Lopes, uma garota fantástica, nos divertimos muito fazendo o jornal, foi uma experiencial profissional fascinante para nós dois.
DELÇO: Mais um aprendizado.
DELCI LIMA: Tanto eu como a Cristiane aprendamos muito com isso, com o jornal pudemos fazer todas as matérias que queríamos. Entrevistamos Lima Duarte, Chico Anysio, Carlos Alberto de Nóbrega, e outras personalidades que estavam em evidência no momento. Tínhamos até o Amaury Jr. Como colunista.
DELÇO: Amaury Jr?
DELCI LIMA: Pois é, ele era amigo do Marinho e do professor Roney, ele me passava o texto e eu publicava no jornal, foi assim que conheci e fiquei amigo do Amaury Jr.
DELÇO: Neste momento você começou a tomar gosto pela imprensa.
DELCI LIMA: Ainda não foi neste momento. Ter feito o Monday me mostrou o quanto a imprensa é poderosa, e às vezes assustadora. Eu queria era fazer televisão.
DELÇO: Conseguiu?
DELCI LIMA: La no Studio cheguei a produzir junto com o Marinho Guzman um quadro que iria fazer parte do Programa do Amaury Jr.
DELÇO: O que seria?
DELCI LIMA: Era mostrar em vídeo a produção de um ensaio fotográfico com modelos e tendo a assinatura By Marinho Guzman. Cheguei a dirigir uns 10 ensaios, estava todo contente, mas não foi ao ar.
DELÇO: Porque não foi para o ar.
DELCI LIMA: Acredito que puxaram meu tapete, porque um tempo depois a Bandeirantes colocou no ar as Garotas do Verão dentro do programa do Luciano do Valle.
DELÇO: Neste momento você estava fazendo só o jornal?
DELCI LIMA: Não, o Marinho tinha um terreno na Vila Olímpia e montamos um estacionamento e um lava-rápido. Fiquei administrando durante quase 4 anos. Diferente do Studio, lá ganhamos dinheiro. Depois, o Marinho foi morar com a Claudia no Guarujá. O terreno onde era o estacionamento foi vendido e construíram prédios nele.
DELÇO: E o Carlinho Duque, voce ainda tem contato com ele.
DELCI LIMA: O Carlinho frequentava muito o Studio, foi por causa dele que resolvi fazer o curso de Jornalismo. Uma noite saímos para comer uma pizza e ele disse que eu deveria fazer Jornalismo e assim resolvi fazer outra faculdade.
DELÇO: Continuam se falando.
DELCI LIMA: Ficamos muito tempo sem nos ver, mas em 2018 encontrei com ele no Shopping Iguatemi e andamos nos encontrando, tanto que um dia ele conheceu a minha mulher e minha filha Luísa e foi através dele que a Luísa começou a fazer um curso de Teatro com a Cininha de Paula, na escola que ela tem em cima do Posto de Gasolina que ele tem na Alameda Lorena. Hoje nos falamos com frequência, vira e mexe tomamos um vinho da loja Mistral do Shopping Iguatemi.
DELÇO: E o Marinho vocês continuam sócios?
DELCI LIMA: Não, deixamos de ser sócios assim que fechamos o estacionamento.
DELÇO: Vocês ainda são amigos.
DELCI LIMA: Amigos de verdade, continuamos nos falando com frequência e pelo menos a cada 2 meses vou para o Guarujá junto com a Laura e a Luísa almoçar com ele e a Amanda. Tenho um carinho e uma amizade de coração com o Marinho e fico muito contente com o carinho, consideração e respeito que tem por mim e pela Laura e a Luísa.
****
DEUS 
Simplesmente o significado de tudo.
DELÇO: Delci, você se julga inteligente?
DELCI LIMA: Me julgo uma pessoa bem-informada.
DELÇO: Você acredita em Deus?
DELCI LIMA: Eu acredito em Deus.
DELÇO: Você é muito religioso.
DELCI LIMA: Gostaria de ser mais, rezo todas as noites e até hoje peço a bênção para minha mãe antes de dormir. Sou católico porque minha mãe quis e vou à igreja quando me dá vontade. Gostaria de conhecer um pouco mais sobre as religiões, pra mim não importa ser evangélico, espírita, budista, católico, todas as religiões levam a um único Deus. Só muda o caminho para chegar até ele.
DELÇO: Você acredita em vida após a morte, em reencarnação?
DELCI LIMA: Não tenho competência suficiente para dar uma opinião definitiva, mas não descarto essas possibilidades. Por isso gostaria de conhecer uma pouco mais sobre as religiões. Na verdade, acredito que ninguém tenha as respostas a essa pergunta, mas com certeza muitos estudiosos estão muito próximos dela.
DELÇO: Voce já pensou em suicídio
DELCI LIMA: Nunca, porque acredito que a minha melhor felicidade é estar vivo.
DELÇO: E a morte?
DELCI LIMA: Acho chata.
DELÇO: Você tem medo de morrer?
DELCI LIMA: Não, aprendi muito cedo que não vou viver eternamente, e depois a morte é a única certeza que tenho na vida. Não gosto muito da ideia, mas não posso fazer nada.
DELÇO: Então por que você acha a morte chata?
DELCI LIMA: Tudo na morte é chato: o momento, o clima depois da morte é chato, não existe nada pior do que você receber a notícia de que alguém morreu, principalmente quando é parente ou amigo seu. Depois, o velório é chato, o enterro é chato, e a missa de 7 dia é a mais chata de todas.
DELÇO: Você não acha que está sendo chato demais?
DELCI LIMA: Não, costumo dizer aos meus amigos que nem ao meu velório gostaria de ir. A missa de 7º dia é terrível. Quando você pensa que tudo já passou, encontra todo mundo e começa a chorar de novo, é muito triste. Eu sempre pensei assim e gostaria que tudo fosse diferente, que quando eu morrer ninguém deveria chorar. Ficarei muito triste vendo-as chorando por mim. Gostaria de ver meus amigos, nesse dia, lembrando-se dos momentos alegres quando jogávamos futebol, dos meus churrascos, dos meus cachorros quentes, das minhas festas.
DELÇO: Você não acha isso meio utópico?
DELCI LIMA: Acho, mas preferiria ver meus amigos contentes sentindo minha falta a ficarem tristes.
DELÇO: Você é feliz?
DELCI LIMA: Ser Feliz Sempre, esse é o meu mantra de vida. Sou uma pessoa extremamente feliz. E sabe por quê? porque quero. Pretendo viver o resto da minha vida assim. Desde garoto estive de bem com a vida. A vida para mim é minha maior felicidade. Quem não está de bem com a vida, não vive feliz.
DELÇO: É difícil encontrar pessoas assim! Você não está se enganando, achando que está feliz, mas no fundo existe alguma coisa que o preocupa?
DELCI LIMA: No dia em que nada mais me preocupar, talvez esteja morto. Estar feliz não quer dizer que nada me preocupa, não me sinto realizado na vida e nunca estarei satisfeito. Quando mais eu consigo, mais eu quero, isso é natural do homem. Agora, jamais me enganei, sempre tive consciência da minha felicidade, ela não é falsa.
DELÇO: Mas você passou por momentos difíceis.
DELCI LIMA: Sim, passei, fiquei triste em alguns momentos, em outros me faltou segurança, mas não briguei com a vida. Aprendi que nem sempre a gente ganha, a vida é um jogo em que se perde e se ganha e vence quem ganha mais. Perdi algumas vezes, mas sempre fui sincero comigo mesmo e soube avaliar porque perdi, sempre achei uma boa justificativa para isso.
DELÇO: Ou melhor, sempre arrumou uma boa desculpa para seus fracassos?
DELCI LIMA: Nada disso, sempre disputei para vencer, mas é preciso saber e tomar consciência de que o adversário às vezes é mais forte.
DELÇO: Você sempre deixou um pé atrás?
DELCI LIMA: É mais ou menos isso, se tivesse entrado de cabeça no futebol, com certeza estaria frustrado hoje, mas tanto pensei na possibilidade de ser um craque, um ídolo, como também em não passar na peneira.
DELÇO: Delci, pelo que nós conversamos, você me parece ser uma pessoa bem forte, definida em seus pontos de vista. Você é realmente uma pessoa forte ou é só aparência, sofrendo muito por dentro?
DELCI LIMA: Antes de me formar em Publicidade e em Jornalismo, eu pensava em fazer Psicologia. Queria entender as pessoas um pouco mais. Meus amigos sempre desabafavam comigo, ajudei muita gente e acredito que elas me procuravam por pensarem que eu era uma pessoa forte. Uma vez escrevi que os nossos problemas são só nossos, são completamente diferentes dos problemas dos outros, portanto, só nós somos capazes de resolvê-los. É verdade que uma força amiga ajuda.
DELÇO: Você nunca precisou de ajuda?
DELCI LIMA: Sempre preciso de ajuda, sou feliz porque aceito todas as ajudas possíveis. E depois Deus sempre esteve ao meu lado.
DELÇO: Como assim, você disse que não é muito religioso.
DELCI LIMA: Não é preciso ser religioso para ter Deus próximo da gente. Desde quando comecei a trabalhar em 1977 não tem um só dia que não me benzo quando passo em frente Paróquia Santo Antônio do Caxingui  que fica na Av. Francisco Morato, Deus sempre esteve comigo tanto nos momento, tristes como nos alegres, talvez seja por isso que acredito muito em conselhos. O mundo é uma loucura porque as pessoas são egoístas, todo mundo pensa que não precisa de ninguém para viver, isso é um absurdo. Muita gente pensa que não preciso de ajuda porque me consideram uma pessoa forte. Isso não é verdade, às vezes necessito de um ombro amigo.
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MINHA PROFISSÃO
Minha zona de conforto, uma escolha de infância.
Um sonho realizado.
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Olimpiada de Barcelona 1992
Aprendendo jornalismo na Prática - Convite do amigo Pedro Tadeo Zorzetto 
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Olimpiada Rio2016 
Visitando ex aluno da FIAM e querido amigo Marcio Moron, vice-presidente da Fox Sports
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Faculdade FIAM - 1990 - 2015
25 anos em sala de aula, ensinando, se divertindo e aprendendo sobre Telejornalismo
Projeto Jaguariúna - outubro de 1992
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Dirigindo os vídeos dos queridos amigos Fabio Saba e Marco Tulio Pimenta
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PhorteTV do querido amigo e parceiro Fabio Mazzonetto.
Aprendendo e construindo conhecimento sobre Pós Graduação e EAD - 25 anos de parceria.
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Programa Código de Honra do IASP
22 anos dirigindo e compartilhando conhecimento sobre o mundo do Direito.
DELÇO: Por falar em ajuda, eu me perdi aqui nas perguntas. Você falava de trabalho, desviou-se do assunto. Depois que saiu do Studio, o que você foi fazer?
DELCI LIMA: Assim que terminei minha sociedade com o Marinho, transformei o Studio em uma agência de publicidade, convidei a Cristina Zanata para trabalhar comigo e montamos a LZ12 Propaganda e Publicidade. Ficamos no mesmo escritório, na rua Oscar Freire com a rua Haddock Lobo, durante uns 2 anos.
DELÇO: O que quer dizer LZ12?
DELCI LIMA: São as iniciais dos nossos sobrenomes, Lima e Zanata e o 12 é o número da camisa de futebol com a qual eu sempre joguei.
DELÇO: E depois desse período o que você fez.
DELCI LIMA: Na verdade neste período fizemos pouco de publicidade, continuei editando o jornal Mondey por mais um tempo e administrando o estacionamento, assim que fechamos o estacionamento eu resolvi trabalhar em casa.
DELÇO: Trabalhar em casa?
DELCI LIMA: Isso mesmo, resolvi montar escritório num terreno que comprei no Taboão da Serra no bairro do Parque Monte Alegre, transferir a LZ12 para o Taboão, neste momento a Cristina saiu da sociedade. Hoje continuo com a LZ12 COMUNICAÇÃO, que é o atual nome.
DELÇO: No mesmo terreno?
DELCI LIMA: Sim, mas quando casei resolvi derrubar o escritório e construir nossa casa, que por sinal é muito boa tem 260mt de área construída, 3 suítes, piscina e o meu escritório. Hoje a Laura trabalha comigo, ela é quem cuida da parte de Assessoria e Comunicação da LZ12, eu continuo produzindo e dirigindo vídeos para empresas e para a televisão.
DELÇO: Voce também foi professor Universitário
DELCI LIMA: Ainda quando trabalhava no Studio, comecei a dar aula como assistente na disciplina de telejornalismo da Faculdade FIAM.
DELÇO: Explica melhor.
DELCI LIMA: Novamente fui convidado pelo Diretor, o Roney e passei a trabalhar como assistente do Randhal Juliano, Flavio Prado e Pedro Tadeo Zorzetto.
DELÇO: O Randhal,aquele da TV Cultura
DELCI LIMA: Isso mesmo, Randhal, e isso nos mostra como a vida é cheia de voltas. Eu via o Randhal apresentando aqueles programas da TV Cultura, quando eu ainda era criança e acabei trabalhando com ele. Aprendi muito com o Randhal, trabalhamos juntos durante 3 anos. Outra pessoa que ouvia na Rádio e depois na TV, era o Flavio Prado, repórter de futebol. O meu irmão Pina era fã do Flavio, Eli Coimbra e do Silvio Luiz. Eu era garotinho e assistia aos programas deles.
DELÇO: Eles são tão velhos assim?
DELCI LIMA: Eu acho que sim (risos) acabei também trabalhando com o Flavio Prado, que hoje é meu amigo. Em 2002 o Flavio me levou para trabalhar na Universidade Santo Amaro – UNISA, onde ele era Diretor da Faculdade de Jornalismo, fiquei na UNISA uns 3 anos.
DELÇO: A partir de quando você passou a ser professor sozinho.
DELCI LIMA: Passei a ser professor sozinho em 1994 para no 3º ano e dividir o 4º ano com o Pedro Tadeo Zorzetto, pessoa maravilhosa com quem aprendi muito e que me levou a participar como jornalista da Olimpíada de Barcelona.
DELÇO: Você trabalhou na Olimpíada de Barcelona?
DELCI LIMA: Conheci o Pedro Tadeo na FIAM, e um ano depois ele me convidou para trabalhar na cobertura da Olimpíada. A princípio não acreditei, aliás, na verdade, só fui acreditar que estava em Barcelona como jornalista no dia em que fui credenciado. Hoje sinto o maior orgulho de ser jornalista, e uma enorme gratidão ao Pedro Tadeo Zorzetto pela oportunidade que me deu de começar minha carreira jornalística participando do maior evento esportivo do mundo e por tudo que me ensinou durante os 10 anos que trabalhamos juntos na FIAM. Hoje o Pedro Tadeo é um dos meus professores nos cursos de Pós-graduação que coordeno na Phorte Educacional.
DELÇO: Aprendeu muito em Barcelona?
DELCI LIMA: Lá estavam os melhores profissionais da Globo, Bandeirantes, SBT, Estado de São Paulo, Folha e muitos outros veículos de comunicação, não só do Brasil como do mundo inteiro. Tive a oportunidade de conhecer e conviver com muitos profissionais que até aquele momento estavam do outro lado da tela. Profissionais como o Hermano Henning, Roberto Cabrini, Orlando Duarte, Silvio Luiz, Osmar Santos, Luciano do Valle, Cleber Machado e muitos outros. Foi lá que passei uma das maiores emoções da vida, ao ver a tocha olímpica passar a um metro de mim. Fiquei totalmente arrepiado e depois quando eu estava presente, na cerimônia de abertura, no Estádio Olímpico de Montjuïc em Barcelona, o arqueiro acendeu a pira olímpica, foi demais. Pude ver também uma partida de basquete entre a seleção brasileira e o Dream Team, com Magic Johnson, Michael Jordan, Charles Barker, Oscar, Marcel, foi uma experiência e tanto.
DELÇO: Então é esta experiência que você passava para os seus alunos?
DELCI LIMA: Com certeza, este era um momento que precisava ser compartilhado com meus alunos, meus amigos e minha filha.
DELÇO: Hoje então o que você é: jornalista, professor ou publicitário?
DELCI LIMA: Diria que sou consultor de comunicação.
DELÇO: Nunca ouvi falar nesta profissão.
DELCI LIMA: Também não, mas acredito que é mais ou menos o que estou fazendo, trabalhando com comunicação, não importa a área.
DELÇO: O que mais a LZ12 faz.
DELCI LIMA: Hoje dou Consultoria de Comunicação para Phorte Educacional do meu amigo Fabio Mazzonetto
DELÇO: Fabio Mazzonetto?
DELCI LIMA: Sim, aliás o Fabio é uma pessoa maravilhosa, nos damos muito bem profissionalmente e estou fazendo parte do crescimento e sucesso do seu negócio Educacional, conheci o Fabio em 1997. Comecei fazendo vídeos para a Phorte Editora, comprando mídia para os cursos dele, fazendo o Informe Phorte e responsável pela PhorteTV que produz os vídeos dos cursos da Pós-graduação e outros negócios, continuamos juntos ate hoje.
DELÇO: O que mais você faz com a LZ12?
DELCI LIMA: A Laura cuida da parte de Assessoria de Comunicação de alguns clientes, com a Helô Pinheiro, portal 500toques, escritor Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues,  IASP, Marcio Bernardes, o maestro João Carlos Martins e outros.
DELÇO: O famoso pianista?
DELCI LIMA: Isto mesmo, conheci o Maestro num daqueles pedidos de favor. O Reitor da FIAM, o Dr. Edson Antonio Miranda me pediu para ir gravar a 1ª apresentação do João Carlos como Maestro.
DELÇO: Quando foi isto?
DELCI LIMA: Outubro de 2004 eu o conheci e fizemos a gravação da primeira apresentação da Bachiana Filarmônica na sala São Paulo e estou até hoje prestando serviço para ele.
DELÇO: Vocês são amigos.
DELCI LIMA: Acredito que sim, uma vez o sr. Georges Gazale disse, que quando alguém te convida para se sentar à mesa em sua casa é porque esta pessoa tem consideração por você. Tive o prazer de sentar a mesa da casa do Maestro em alguns momentos, então acredito que ele tenha consideração por mim. Estou sempre fazendo alguma coisa para ele, e fico feliz como ele trata a Laura e a Luísa. É uma pessoa especial.
 
DELÇO: Falando em Georges Gazale, você voltou a encontrá-lo.
DELCI LIMA: Sim, um dia por volta de 2002 estava andando com o meu amigo Paulo Marques e passamos em frente ao escritório do Sr. Georges na av. 9 de julho. Resolvi parar para cumprimentá-lo. Fazia uns 15 anos que eu não o via.
DELÇO: O que aconteceu?
DELCI LIMA: Me apresentei, mas ele não se lembrava de mim, ai contei que era aquele garoto que trabalhou no restaurante e tinha saído para jogar futebol. Ele lembrou na hora e perguntou o que eu estava fazendo.
DELÇO: Não foi ele quem pagou o último ano da sua faculdade de Publicidade.
DELCI LIMA: Foi ele mesmo, ai disse que era publicitário e ele estava com um folder na mão e disse, se você é publicitário preciso de um novo folder deste, faz pra mim e te contrato.
DELÇO: E você fez.
DELCI LIMA: Uma semana depois levei para ele e fiquei prestando serviço por uns 3 anos. Ele reativou o Restaurante Au’Liban e fizemos toda a identidade visual, desde o logo até o cardápio.
DELÇO: Mas o restaurante fechou um tempo depois.
DELCI LIMA: Tive novamente o prazer de trabalhar com a Dona Yone e conheci a Fernanda Gazale, com quem mantenho contato ate hoje. O Sr. Georges estava muito doente foi um período muito difícil. Ficava uns dias no hospital e depois em casa. Sempre acreditei que o restaurante era a cara do Sr. George, sem a presença dele seria difícil dar certo. E não deu, fechou exatamente um ano depois de aberto
DELÇO: Voce também era amigo dele.
DELCI LIMA: Gostava muito dele e ele de mim, tinha dias que me chamava a casa dele somente para me contar história.
DELÇO: Contar história?
DELCI LIMA: Isso mesmo, gostaria muito de ter feito a biografia dele. Sem dúvida teria sido muito importante para o Brasil. Ele tinha muita coisa para contar. No Governo do Presidente Figueiredo, algumas pessoas diziam que ele era uma eminência parda, tinha muita influência.
DELÇO: Nos tempos de Lava Jato a biografia daria o que falar.
DELCI LIMA: Tenho certeza disso, me contou algumas coisas interessante. Na noite do réveillon de 2004 eu e a Laura passamos na Av. Paulista, quando saímos de lá por volta da 1 hora da manhã fomos visitá-lo no Hospital São Luiz, ele estava sozinho no quarto, ficamos conversando com ele um bom tempo e tenho certeza que ficou muito contente em nos ver. Alguns meses depois ele morreu.
DELÇO: Voce parece que vive cercado de amigos, uma dessa amizade é com a Helô Pinheiro, nossa Garota de Ipanema.
DELCI LIMA: Isso mesmo, eu conhecia a Helô Pinheiro do tempo do Studio, ela era amiga do Marinho. Mas em 2004 a convite do professor Roney ela passou a apresentar o Programa Código de Honra que eu dirigia.
DELÇO: O que você tem para falar sobre a Helô Pinheiro
DELCI LIMA: Ela é encantadora, assim como o Maestro João Carlos Martins é conhecida e prestigiada no mundo.
DELÇO: Nossos ídolos que as vezes não são tão valorizados por nós.
DELCI LIMA: Sempre foi muito carinhosa comigo e depois com a Laura e com a Luísa. Sempre prestativa e carinho, para nós ela é mais do que a Garota de Ipanema. Como a Luisa diz é a titia Helô.
DELÇO: Você nunca trabalhou em TV?
DELCI LIMA: Sou fascinado por TV, mas nunca me agradou a idéia de trabalhar numa emissora, seja Globo, Band, Record ou SBT. Quer dizer, trabalhar contratado.
DELÇO: Se você fosse trabalhar em televisão, iria trabalhar em quê?
DELCI LIMA: Às vezes as pessoas me cobram por não estar trabalhando em alguma televisão. Eu gosto muito do telejornalismo, mas não iria procurar emprego lá. Se tivesse que trabalhar em TV, gostaria de ir para a área de novelas, minisséries, sempre gostei muito disso.
DELÇO: Ser ator?
DELCI LIMA: Não, antigamente tinha vontade de dirigir, hoje gostaria de produzir, quem sabe até escrever
DELÇO: O que você vê e gosta na TV?
DELCI LIMA: Vejo de tudo, nossa televisão é uma das melhores do mundo. Temos ótimos telejornais com excelentes repórteres e gente de bastidores muito competente. As novelas são as melhores do mundo. O padrão de qualidade, os textos e o nível de atores brasileiros são fantásticos.
DELÇO: Quando você diz que há excelentes repórteres é porque foram seus alunos (risos)
DELCI LIMA: Com certeza (risos) há muita gente boa saindo da faculdade e fico muito contente quando vejo aluno meu no vídeo. Poderia citar vários nomes, mas há muitos que não estão no vídeo e são tão bons e competentes quanto os que aparecem.
DELÇO: Me diz do que você gosta na televisão?
DELCI LIMA: Muita coisa, mas falar de televisão é falar da Globo, mas existe coisa boa na Cultura, como o Roda Viva, o Vitrine, seu telejornalismo e os programas educativos. Na Globo, as minisséries, as séries brasileiras, o esportes, as novelas e sem dúvida seu jornalismo. Agora na Band, Record e SBT, tiro poucas coisas, a programação dessas emissoras, em geral, é muito fraca.
DELÇO: Você ainda é professor?
DELCI LIMA: Não, sai da sala de aula em janeiro de 2015, nunca me considerei professor, sempre gostei do que estava fazendo, tenho certeza de que fiz um bom trabalho. Na verdade, aprendi e me diverti muito dando aula. Hoje crio e coordeno cursos de pós-graduação em Marketing e Comunicação que são comercializados em várias universidades.
DELÇO: Você diz que a TV brasileira é muito boa. E a publicidade?
DELCI LIMA: A programação da Globo não perde para nenhuma emissora do mundo, principalmente da Europa, que é horrível. Pode perder para as americanas. Quanto à publicidade, está entre as 3 melhores do mundo. À sua frente está a inglesa e a americana. Em todos os festivais de publicidade o Brasil é premiado.
DELÇO: E por que isso?
DELCI LIMA: Com certeza pela qualidade humana. Um país que tem Washington Olivetto, Nizan Guanaes, Eduardo Fischer, Neil Ferreira, Marcello Serpa, Alexandre Gama, Christina Carvalho Pinto, Roberto Justus, Alex Periscinoto, Júlio Ribeiro e muitos outros não poderia ser diferente.
DELÇO: Parece um time de futebol.
DELCI LIMA: Daria para fazer uma seleção e trazer a Copa várias vezes para o Brasil.
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O FUTURO
O Futuro sempre foi o meu presente.
DELÇO: Bem, de trabalho você já falou. Agora, o que você pretende fazer para o futuro?
DELCI LIMA: Não vou parar de trabalhar tão cedo, o trabalho sempre foi gratificante. Tenho nos meus planos continuar a trabalhar com comunicação e educação e quem sabe escritor.
DELÇO: Você gosta de cinema?
DELCI LIMA: O Cinema é outra coisa de que gosto muito. Havia época que ia 3 vezes por semana ao cinema, hoje continuo indo com a minha mulher e minha filha que também adoram cinema.
DELÇO: De que tipo de filme você gosta?
DELCI LIMA: Não tenho preferência, gosto de filme bom, podendo ser aventura, romance, drama, ficção, comédia.
DELÇO: Qual é seu filme e diretor preferido?
DELCI LIMA: São muitos, mas vou citar três diretores, um é o Steven Spielberg, os outros são François Truffaut e Claude Lelouch. É claro que o Spielberg não só por causa do ET, que é um dos filmes mais fascinante do mundo, mas pela forma de dirigir. Ele sabe trabalhar com a emoção. A Cor Púrpura, O Império do Sol, A lista de Schindler, Os Indianas Jones, Parque dos Dinossauros. Não é à toa que ele é o diretor que possui maiores recordes de bilheteria. François Truffaut, pelo filme A Noite Americana. Tenho uma identificação muito grande com este filme. Há também A Mulher do Lado, as suas entrevistas com Hitchcock e outra com o Fellini, que são muito boas. É uma aula de cinema. O Claude Lelouch fez o filme que para mim é um espetáculo, é um dos melhores filmes a que assisti, Retratos da Vida. A trilha sonora é quase que completamente com a música Boleros, de Maurice Ravel e conta a história de 4 famílias durante a 2º Guerra Mundial. Cito também Um Homem e Uma Mulher, com trilha sonora do violonista brasileiro Baden Powell.
DELÇO: E o cinema nacional?
DELCI LIMA: Cada dia vem melhorando, mas sei que foi um bom cinema, principalmente na época do Cinema Novo, com Gláuber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte. Houve a fase da Vera Cruz, que produziu muitos filmes. Não podemos esquecer das chanchadas com Oscarito e Grande Otelo, o nosso cinema foi muito bom.
DELÇO: E por que não é tão bom como antigamente?
DELCI LIMA: É complicado, mas acredito que seja por causa da distribuição. O cinema americano invadiu o mercado brasileiro e mundial e não dá espaço para ninguém. Você vai a qualquer cinema do shopping e só encontra filme americano, aqui não tem espaço nem para o cinema europeu, que também é muito bom.
DELÇO: Mas você não acha que se o cinema brasileiro ainda tem futuro.
DELCI LIMA: Olha, a gente aprende que nem tudo que é bom fica, e isso acontece com o filme brasileiro. Temos ótimos diretores, roteiristas, atores e técnicos, continuo acreditando que a briga é com os distribuidores, como é possível falar mal de filmes como O Quatrilho, Tieta, O que é isso Companheiro? Guerra de Canudos, Carlota Joaquina, Cidade de Deus, Central do Brasil, Tropa de Elite, e muitos outros, que são dessa nova safra de diretores, como o Walter Salles, Fernando Meireles, Jose Padilha, Bruno Barreto. Hoje Hollywood tem olhado para esses diretores o que é muito bom para nós.
DELÇO: Você pretende dirigir algum filme para cinema?
DELCI LIMA: Acredito que não, ainda não tenho competência para isso, quem sabe algum dia posso escrever ou produzir. Hoje não.
DELÇO: E música, o que você gosta de ouvir?
DELCI LIMA: Gosto principalmente de MPB, sou fã do Caetano Veloso e do Roberto Carlos.
DELÇO: Olha o Betão aí de novo.
DELCI LIMA: Pois é, tenho todos os discos dele, e sabe de uma coisa, eu não sei quem é mais careta, quem gosta do Roberto Carlos ou quem não gosta dele.
DELÇO: Aí você forçou.
DELCI LIMA: É verdade, não tem uma pessoa que não gosta de uma música dele, afinal, todo mundo passou por Detalhes, Cavalgada, Emoções, e mais, a música Outra Vez, foi feita para mim (risos).
DELÇO: Parece que você ficou louco.
DELCI LIMA: Brincadeira, é que essa música é linda, e por falar em linda, como não gostar da música Você é Linda do Caetano Veloso. Ele também é outro artista de que gosto muito. O problema dele é que está a 10 anos à nossa frente.
DELÇO: O que mais você ouve?
DELCI: Gosto do Gil, Chico Buarque, que é unanimidade, João Gilberto...
DELÇO: Até João Gilberto.
DELCI LIMA: Este é um problema, escuto João Gilberto sozinho, é difícil achar alguém que curte. Mas vou fazer o quê? Gosto também do Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho, enfim gosto da MPB em geral. Costumava dizer que iria casar quanto encontrasse uma garota que gostasse das músicas do Roberto Carlos e do Caetano Veloso (risos). Depois eu fui professor da Luciana Braga que é filha do Roberto e hoje uma querida amiga.
DELÇO: Que legal e a garota, encontrou?
DELCI LIMA: Mais ou menos (riso) A Laura ate que gosta deles.
DELÇO: E da música estrangeira?
DELCI LIMA: Há muita coisa boa, mas sou saudosista, gosto muito do Michael Jackson, Bee Gees, Beatles e por aí afora. Uma das emissoras de rádio que escuto muito é a Antena 1 que toca muito flashback.
DELÇO: E teatro?
DELCI LIMA: Vou pouco, mas gosto, cada vez que vou saio com a vontade de querer escrever uma peça de teatro. Uma vez até comecei a escrever, quanto estava fazendo faculdade.
DELÇO: Era sobre o quê?
DELCI LIMA: Estava fazendo o 1º ano de Publicidade e passei um sufoco danado no final do ano com as notas e comecei a escrever sobre isso, passar de ano, ficar de recuperação, aquele stress todo por que os alunos passam no final de ano.
DELÇO: Você gosta de ler e escrever?
DELCI LIMA: Comecei a ler muito tarde, eu devia ter uns 22 anos quando li o 2º livro, nunca gostei de ler. Mas depois perdi a conta de quantos já li, hoje leio por prazer. Gostaria de ter lido muito mais. Acredito que é através da leitura que se adquire muita sabedoria. Gostaria de ter lido sobre mitologia grega, religião, filosofia, história...
DELÇO: Sente falta?
DELCI LIMA: Com certeza, apesar de não me arrepender do passado. Poderia ter tido o hábito de ler quando estava no primário. Parece vergonhoso, mas não devo ter lido mais do que 10 livros de literatura brasileira.
DELÇO: Não gosta?
DELCI LIMA: Quando era adolescente, era preguiça, vagabundagem, hoje talvez seja por opção. Tentei ler Jorge Amado, José Lins do Rego, João Ubaldo Ribeiro, Drummond, mas parei, não consegui, mas também tentei ler Proust, Umberto Eco, Milan Kundera, Ernest Hemingway, e parei na metade.
DELÇO: Gosta de leitura fácil?
DELCI LIMA: Não sei, pode ser.

***

ESCRITOR
Nunca é tarde para começar

 

DELÇO: E escrever?
DELCI LIMA: Também só comecei a tomar gosto depois dos 22 anos. Primeiro foi um livro de poesia, Meu Mundo, que era um cartão de Natal, em forma de livro, que vendeu mil exemplares. Me formei em Jornalismo e comecei a escrever para o jornal Monday e a fazer os roteiros para os vídeos institucionais e programas que dirigia.
DELÇO: Mas um livro, um romance, já pensou em escrever?
DELCI LIMA: Finalizei em dezembro de 2020 o meu primeiro romance.
DELÇO: É sobre o quê?
DELCI LIMA: É uma história que comecei a escrever em 1985 quando eu trabalhava no Unibanco.
DELÇO: Nossa quanto tempo?
DELCI LIMA: Pois é, ficou guardado na minha memória e em uma gaveta por 35 anos, onde colocamos nossa lembrança. 
Então no início da pandemia em março de 2020, um dia minha filha Luísa começou a ler e me convenceu a finalizar.
E foi o que fiz nos 2 primeiros meses desse confinamento home office que o mundo começou a passar.
DELÇO: É uma autobiografia?
DELCI LIMA: Não, mas por ser o primeiro, pode ser que alguém muito íntimo possa relacionar o personagem Carlos à minha pessoa. É uma história de amor e amizade, onde 4 amigos Vera, Carlos, Lopes e Roberta vivem momento felizes desde a infância numa Rua de um determinado Bairro e depois realizam o sonho em suas profissões.
DELÇO: E o título?
DELCI LIMA: Em 1985 o título era Vera. Nunca é tarde para começar. Mas assim que finalizei resolvi chamar somente de: Nunca é tarde para começar.
DELÇO: Quando você lançou?
DELCI LIMA: Minha intensão era fazer uma reunião em casa, mas em virtude dessa pandemia que estavamos passando em virtude do Covid19, ficou difícil. Então publiquei em janeiro de 2021.
Fiz 200 cópias para presentear meus amigos e familiares e coloquei a venda na Amazon.
DELÇO: Gostou da experiencia?
DELCI LIMA: Adorei. Tive boa resposta de quem leu, ótimos comentários e elogios. A pedidos fiz uma live respondendo perguntas sobre os personagens e algumas curiosidades.
 DELÇO: Pretende continuar a escrever?
 DELCI LIMA: Sim, gostei do resultado e já estou em processo de pesquisa para escrever o 2º livro.
 DELÇO: Já tem tema e título?
 DELCI LIMA: Sim, mas ainda está em estudo.
 DELÇO: Mas sei que tem um que está em finalização, é isso
 DELCI LIMA: Sim, este tem título definido é, Olhe para o lado, o despertar da Juventude.
DELÇO: Do que se trata, também é romance?
DELCI LIMA: É não-ficção. Nele, dois jovens recém-formados em comunicação se encontram numa festa e começam a conversar sobre a vida. Cada um com seu ponto de vista. Pedro é um jovem de classe média baixa que se esforçou trabalhando para pagar a faculdade e ajudar a família. Maria Fernanda é filha de embaixador, fez faculdade em Londres e passou ou últimos 5 anos morando na Europa. São dois mundos diferentes e cada um conta sua história. Quem sabe este livro pode ter a colaboração da minha filha Luísa para ajudar escrever este livro. Estamos negociando. kkk
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VIAJAR
Faz bem para o corpo, coração, alma e traz uma felicidade enorme.
Mas com certeza o melhor é sempre voltar para casa.
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DELÇO: E por falar em viagem, fala um pouco sobre elas?
DELCI LIMA: Sem dúvida nenhuma, viajar faz bem para alma, corpo, coração. Espero poder viajar sempre. Quando morava na Rua9, fiquei até os 26 anos sem conhecer nada. Depois que saí da Rua9 ganhei o mundo. Conheço do Rio Grande do Sul até Fortaleza de carro. Fui para o Sul com a Cristina, passamos o réveillon de 91 em Termas de Gravatal num hotel maravilhoso da minha amiga de turma da FIAM, Marta Regis. Fomos até Gramado, Canela, conhecemos toda aquela região do Rio Grande do Sul. Em outras férias fui para o Pantanal com a Marta, querida amiga da minha turma de jornalismo da FIAM, conhecemos lugares maravilhosos como Bonito, no interior do Mato Grosso de Sul, andamos mais ou menos uns 500 km de estrada de terra. Viajei também de férias duas vezes com o Sabão, primeiro em 86 até Maceió e em janeiro de 95 até Fortaleza,
DELÇO: Conheceu Jericoacoara?
DELCI LIMA: Estou procurando o maluco que descobriu este lugar, lá com certeza é o fim do mundo.
DELÇO: Voce não gostou?
DELCI LIMA: Gostei, mas é muito longe.
DELÇO: Para onde mais você foi?
DELCI LIMA: Viajei duas vezes para a Bahia com a minha mãe. Uma vez em 94 e a outra em 2000 nas duas vezes estava com o meu irmão Patrício, é muito bom poder viajar com a família, ter a minha mãe presente já era uma benção.
DELÇO: Você já esteve fora do Brasil
DELCI LIMA: Conheço bem Lisboa, estive 4 vezes, a primeira vez foi em 1990 quando fui visitar meu sobrinho André que morava em Portugal, morou por lá de 1989 até 2011, depois foi para Moçambique na África. Nesta viajem alugamos um carro e fomos até Málaga na Espanha, passamos por Sevilha, Cádiz, o Estreito de Gibraltar.
DELÇO: O dos Canhões de Navarone?
DELCI LIMA: Este mesmo, um pedaço de terra banhado pelo Oceano Atlântico e pelo mar Mediterrâneo e colonizado pelos ingleses. Votamos pelo sul de Portugal, passando pelo Algarve, Setúbal até chegar em Lisboa.
DELÇO: Depois você esteve em Barcelona em 92 para as Olimpíadas
DELCI LIMA: Isto mesmo, mas antes de chegar em Barcelona eu comprei um passe de Trem do EuroStar e fui conhecer alguns países.
DELÇO: Você passou por quais outros países.
DELCI LIMA: Bom entrei por Lisboa, onde passei um final de semana no apartamento do André e da Fernanda e depois peguei um trem para Sevilha na Espanha.
DELÇO: Os famosos trens europeus.
DELCI LIMA: Ainda não, o trecho de Lisboa até Sevilha, o trem ainda não era o famoso trem bala.
DELÇO: Mas você andou nele.
DELCI LIMA: Em Sevilha fiquei duas noites e fui conhecer a EXPO92, uma feira mundial maravilhosa, fiquei encantado. Ai sim viajei o resto nos trens EuroStar, segui de Sevilha para Madrid, Paris, Bruxelas, Munique, Zurique, Vaticano, Roma e por fim Barcelona.
DELÇO: Você fala inglês.
DELCI LIMA: Não falava e ainda não falo.
DELÇO: E como você se virou?
DELCI LIMA: Jeitinho brasileiro, tenta falar portunhol, e usa o dedo para tudo. Aponta aqui e ali e chega onde você quiser. Mas cobrei e hoje minha filha fala inglês e a vida dela nas viagens será bem mais proveitosa que as minhas, falar outra língua é fundamental.
DELÇO: Paris é tudo isso?
DELCI LIMA: É, e muito mais. Estive em Paris três vezes. Acho Paris uma Rua Oscar Freire em casa esquina. Quem falar que não gosta de Paris está doente. A cidade é realmente muito bonita é uma cidade em constante festa, principalmente para quem é turista.
DELÇO: Quais cidades você gostou?
DELCI LIMA: Como não me casei no religioso e não fiz lua de mel, gostaria de retornar e passar em Bruxelas na Bélgica. Achei esta cidade encantadora. Zurique também é bonita. Em Munique, tomei várias cervejas, lá realmente é a cidade da cerveja. Fiquei na casa do Cesar, filho do Maranhão, amigo do meu time Brasilzinho, depois retornei para Munique em 2018 com minha mulher e minha filha. Fui a Roma ver o Papa, mas ele estava doente e não pode me receber (risos). Roma é uma aula de história, quem gosta é um prato cheio.
DELÇO: E a América do Sul?
DELCI LIMA: Conheço Buenos Aires, fui lá dirigir O Free Pass um programa para a televisão do Mauricio Marey sobre turismo. Fiquei uma semana e deu para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Com certeza, Buenos Aires lembra muito algumas cidades da Europa. Uruguai, Paraguai, Chile nunca me atraíram. Os Estados Unidos não conheço, mas tenho planos de conhecer com a Laura e a Luísa.
 
* * *
LAURA E LUÍSA LIMA
Minha mulher e minha filha, amigas e companheiras
 dos meus sonhos e da minha vida
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Roma - Junho 2018
Minhas meninas no bairro de Trastevere
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Firenze - Italia - Junho 2018
Aprecidando a famosa Bisteca Fiorentina 
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Muinique - Junho 2018 
Englischer Garten
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Luísa Lima, 15 anos
Amor da minha vida
Boulevard de la CroisetteDELÇO: Aproveitando mais uma vez a deixa, você disse que gostaria de ter casado com uma garota que gostasse do Caetano e do Roberto Carlos, você encontrou.
DELCI LIMA: Como eu disse, mais ou menos, a Laura não gostava muito deles, mas com a convivência hoje gosta até do João Gilberto e da Bossa Nova (riso).
DELÇO: Como vocês se conheceram, dizem que foi para você esquecer a Cristina.
DELCI LIMA: Isto não é verdade quando conheci a Laura eu já tinha esquecido a Cristina.
DELÇO: Então conta.
DELCI LIMA: Antes de ter um relacionamento com a Laura eu namorei Amanda, também aluna da FIAM (riso) com a Amanda comecei a esquecer a Cristina. Ficamos juntos uns 5 meses, ai conheci a Laura.
DELÇO: Você ficou com as duas ao mesmo tempo?
DELCI LIMA: Definitivamente não, como te disse traição é algo que me incomoda muito.
DELÇO: Quando você percebeu que estava apaixonado pela Laura e que ela seria a mulher da sua vida.
DELCI LIMA: A Laura foi minha aluna no 3º ano de jornalismo na FIAM na turma de 2001, nos conhecemos e começamos a sair, em determinado momento percebi que estava ligando para ela todos os dias. E em outro momento sentia uma falta muito grande dela, foi ai que percebi que estava apaixonado.
DELÇO: E ela.
DELCI LIMA: Me deu canseira, sou 17 anos mais velho do que ela e tive que correr atrás – de novo como diz a canção do Roberto Carlos – Por isso corro demais. Tive que corre bastante, mas teu tudo certo. Começamos a namorar, ai um dia ela disse que queria casar. Aceitei, marcamos a data, noivamos por um ano e nos casamos no dia 24 de julho de 2004 somente no Civil.
DELÇO: Vocês não se casaram no religioso.
DELCI LIMA: Somente no Civil, eu sou muito festeiro, mas estávamos construindo nossa casa e fizemos a opção de deixar a festa para mais tarde.
DELÇO: Pretende casar no religioso.
DELCI LIMA: Acredito que toda mulher deseja um dia entrar numa Igreja de véu e grinalda. Eu também gostaria de casar no religioso, a Luísa esta organizando isso. kkk
DELÇO: O casamento mudou sua vida.
DELCI LIMA: Acreditava que não, mas um dia fui ao médico, o Dr. Li, fazer uma consulta de rotina e ele me perguntou se tinha mudado alguma coisa na minha vida. Eu disse que não. Conversa vai conversa vem e de repente eu digo que tinha acabado de casar. Neste momento o Dr. Li fica maluco e um monte pra mim.
DELÇO: Por quê?
DELCI LIMA: Bom, eu estava lá por casa de uma gastrite, então ele já começou a falar que a minha alimentação tinha mudado, depois de 43 anos comendo a comida da mãe, comecei a comer a outra coisa (riso) e assim por diante. Então hoje posso dizer que o casamento mudou a minha vida.
DELÇO: Para melhor ou para pior.
DELCI LIMA: Tenho certeza de que foi para melhor, hoje penso mais em fazer as coisas, sou mais centrado e depois do casamento passei a dar mais importância inda para a família. Continuo acreditando que a família é o equilíbrio de tudo.
DELÇO: E ser pai, como é.
DELCI LIMA: Maravilhoso, sou um pai muito participativo, estive em todos os momentos da gravidez da Laura, participei de todos os pré-natal, fui em todas as consultas, vi todas as ultrassonografias e estive presente no parto.
DELÇO: Você desmaiou?
DELCI LIMA: Não, desde o começo decidimos não saber o sexo do bebê, e no dia que a Luísa nasceu eu estava lá.
DELÇO: Vocês tinham preferência por menino ou menina.
DELCI LIMA: Não, nós tínhamos nomes, se fosse menino seria João Vitor, se fosse menina, Luísa. O nome quem escolheu foi a Laura.
DELÇO: E ela como reagiu ao nascimento da Luísa.
DELCI LIMA: Pois é, a Luísa não vai gostar muito de saber disso. Então o médico colocou a Luísa nos meus braços e disse que era linda e sadia, então eu a levei para a Laura, aí ela disse, “não vai jogar futebol”. Foi a primeira coisa que ela falou quando viu a Luísa. (risos). Acho que a Laura queria um jogador de futebol, mas com o nome de João Vitor, acho difícil.
DELÇO: Então ser pai é muito bom.
DELCI LIMA: Lembro que no dia 22 de março de 2006, mandei um e.mail para todos os meus amigos – HOJE É UM DIA ESPECIAL, ESTOU MUITO FELIZ, NASCEU MINHA FILHA LUÍSA MOURA LIMA, COM 2.2KG. Pode ter certeza é muito bom ser pai, hoje vivo para a Luísa e para a Laura. São as pessoas mais importante da minha vida. É claro que minhas irmãs Leda e Lourdinha também faz parte deste time.
DELÇO: Ser pai de menina deve ser difícil, como é seu relacionamento com a Luísa.
DELCI LIMA: Sempre me dei muito bem com todo mundo, não vai ser diferente com a Luísa. Apesar de ter somente 15 anos conversamos muito.
DELÇO: Sobre o que?
DELCI LIMA: Falamos sobre tudo, família, amigos, escola, sexo, vida. Tem sido muito bom. Digo para ela que em nosso relacionamento não terá espaço para mentiras. E que além de pai serei sempre um grande amigo.
DELÇO: Vocês fizeram uma viagem para a Europa quando a Luísa ainda não tinha 2 anos. Como foi?
DELCI LIMA: Sim, em junho de 2007 estivemos em Portugal e na Espanha, ficamos exatamente um mês..
DELÇO: Passearam bastante.
DELCI LIMA: A Luísa estava com 1 ano e 3 meses então não queríamos andar por muitos países com ela nesta idade, mas ela se comportou maravilhosamente bem. Ficamos na casa do meu sobrinho Andre e fomos muito bem recebidos pela Fernanda, Raquel e o Lucas.
DELÇO: Onde ele morava em Lisboa.
DELCI LIMA: O André morava numa bela casa num condomínio em Mafra, uma cidade aproximadamente 40 km de Lisboa. O Andre tinha um Audi A4 e pudemos ir a Sintra, Fátima e Porto. E num final de semana eu Andre, Fernanda, Laura e Luísa fomos até Madrid na Espanha, foi um final de semana maravilhoso.
DELÇO: Assistiu a uma partida do Real Madrid?
DELCI LIMA: Nesta época do ano são as férias esportivas, não tem futebol, mas fomos ao estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabeu, assim como no estádio do Benfica em Lisboa onde a Laura chorou ao entrar.
DELÇO: Ela gosta tanto assim de futebol.
DELCI LIMA: Sim, ela é apaixonada por futebol. Na verdade, não entende muito, afinal é torcedora do São Paulo (riso). Estamos nos programando para assistir a uma partida do Barcelona x Real Madrid, de preferência em Barcelona.
DELÇO: E você torce para quem.
DELCI LIMA: Sou Santista, torço para o Real Madrid mas também gosto do Barcelona, complicado.
DELÇO: Delci, estamos chegando ao fim deste bate papo, você gostaria de falar alguma coisa que não falou?
DELCI LIMA: Há tanta coisa que gostaria de ter falado. Talvez tenha esquecido alguma coisa ou disse algo que chateasse alguém, mas esses são meus pensamentos e como sou sincero comigo mesmo, não iria mentir para agradar ninguém. Tudo o que digo é a expressão da pura verdade, pelo menos na minha verdade, e se eu fosse lembrar de tudo, isso se tornaria uma biografia.
DELÇO: 59 anos, o que você gostaria de fazer ainda.
DELCI LIMA: Poxa, tem tanta coisa para fazer ainda, tenho que aproveitar a minha idade e viver dentro dela.
DELÇO: Ainda vai continuar viajando.
DELCI LIMA: Hoje o que nos dá mais prazer tanto para mim como para a Laura e a Luísa é viajar, em 2015 e 2018 fizemos 2 viagens encantadoras.
DELÇO: Conta, como foi?
DELCI LIMA: Como a Laura gosta do Barcelona, então resolvemos fazer um roteiro que começasse por Barcelona. Em 13 de junho de 2015 chegamos em Barcelona e fizemos todos os passeios tradicionais e claro que fomos no Cap Nu, o Estádio do Barcelona. Alugamos o Kia Sportage e andamos 3500 km pela Europa.
DELÇO: Para onde vocês foram?
DELCI LIMA: Saímos de Barcelona e fomos para Marselha na França. Seguimos viagem e ficamos 2 dias em Cannes, onde jantamos e nos divertimos na famosa e charmosa Boulevard de la Croisette, passamos por Nice e nos encantamos com o luxuoso Principado de Mônaco e Monte Carlos. Continuamos estrada adentro para Milão na Itália onde ficamos 2 noites. Passamos pelos Alpes Suíços, e chegamos em Beuane na Região da Borgonha na França para conhecer um pouco de vinho e ficamos 2 dias. Passamos por Dijon, e chegamos em Paris.
DELÇO: Paris a cidade Luz e do Amor.
DELCI LIMA: Sem dúvida, estar com a Laura e a Luísa em Paris foi muito especial. Subimos até topo da Torre Eifeel, fomos fazer uma visita a Monalisa no Museo do Louvre, tivemos um jantar romântico no bateaux-mouches, Paris em Scéne. Nos divertir com a Luísa no Disneyland Park. Compramos, almoçamos e nos encantamos na Av. Champs Elysées e em muitos outros bairros lindos e românticos da cidade. Foram 5 dias maravilhosos em Paris.
DELÇO: Assim fica fácil gostar de Paris.
DELCI LIMA: Pois é, e terminamos nossa viagem no Principado dos Vales de Andorra uma cidadezinha na divisa da França e Espanha.
DELÇO: Andorra?
DELCI LIMA: Andorra-a-Velha é o sexto menor país da Europa, a Laura e a Luísa adoraram, e uma zona franca onde puderam comprar muitos perfumes e cosméticos a um preço generoso.
DELÇO: Tudo de isso de carro?
DELCI LIMA: Sim, demos uma volta na França de carro e terminamos em Barcelona, de onde retornamos para o Brasil.
DELÇO: Voltaram para a Europa em 2018.
DELCI LIMA: Sim, a Laura queria conhecer a Região da Toscana na Itália.
Assim no dia 10 de junho de 2018 embarcamos ruma a Londres onde ficamos 4 noites.
DELÇO: Mas o roteiro não era para a Toscana?
DELCI LIMA: Quando fui comprar as passagens, resolvi entrar e ficar 4 noites em Londres para que a Laura e a Luísa conhecessem esse pais maravilhoso e poderoso.
DELÇO: E o que elas acharam?
DELCI LIMA: Ficaram encantadas e depois eu combinei com a minha afilhada Raquel Patrício (filha do meu sobrinho André) que estava fazendo faculdade na Alemanha de nos encontrarmos em Londres, e assim aconteceu ela ficou 2 dias passeando conosco pela terra da Rainha.
DELÇO: E depois vocês foram para a Toscana?
DELCI LIMA: No dia 14 pegamos um voo para Roma onde ficamos 4 noites e alugamos um carro e seguimos para a Toscana.
DELÇO: Muita história em Roma?
DELCI LIMA: Roma é um livro aberto para a história, e fizemos os passeios obrigatórios e assistimos na Basílica de São Pedro a apresentação dominical com o Papa Francisco, o que é maravilhoso.
DELÇO: Foram conhecer as pelas paisagens da Toscana.
DELCI LIMA: Saímos de Roma e fomos para Siena onde passamos 2 noites, e seguimos para Firenze, mas 2 noites, 1 noite na Bolonha, 1 noite em Veneza, passamos por Salzburg na Áustria e fomos direto para Munique onde ficamos 2 noites.
DELÇO: Como está o seu alemão?
DELCI LIMA: Do mesmo jeito como de 92 (rs), deu para se virar e as meninas ficaram admiradas com a cidade. Querem voltar. Voltamos para a Itália, por Verona, Parma, Pisa, Livorno, Santa Marinella e retornamos a Roma de onde embarcamos para o Brasil 21 dias depois.
DELÇO: Qual o próximo roteiro?
DELCI LIMA: Era para ser em junho de 2020, tínhamos passagem e hospedagem reservada para conhecer o roteiro feito todo pela Luísa.
DELÇO: Onde
DELCI LIMA: California, iriamos entrar por San Francisco, depois Los Angeles, Las Vegas, San Diego e retorno para San Francisco e Brasil.
DELÇO: A Pandemia não deixou.
DELCI LIMA: Isso mesmo, tivemos que cancelar.
DELÇO: Estão pensando na próxima.
DELCI LIMA: Sim, mas temos que esperar esse capítulo da história passar. Mas quem sabe a Costa Amalfitana, e um Cruzeiro de uns 10 dias por algum oceano da Europa, estamos planejando o roteiro.
DELÇO: Delci de volta ao Brasil, estamos terminando nossa conversa. E para terminar, vou plagiar uma pergunta que ouvi numa entrevista. Quanto você chegar ao céu e encontrar Deus e ele lhe perguntar se valeu a pena o que você vai dizer?
DELCI LIMA: Às vezes digo aos meus amigos que deveríamos ter duas vidas, uma para aprender e outra para viver.
Eu venho aproveitando as duas e posso dizer com certeza: a vida é a minha maior felicidade e sem dúvida diria para Deus, obrigado, valeu e muito.
DELÇO: De nada.
FIM
 

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DELÇO PATRICIO DOS SANTOS
Publicitário, jornalista e amigo para sempre
Sou um daqueles amigos da Rua9.
Assinava meu nome como Delço Patricio dos Santos.
Era assim que todos da minha família me chamavam, era também como os amigos da Rua9 me conheciam.
A partir do 4º ano primário, quando o professor Paulo pediu para que todos os alunos levassem seus registros de nascimento, fiquei sabendo que meu nome era Delci Batista de Lima, este é o verdadeiro nome no registro.
Aliás não é só onde eu nasci que tudo é complicado, aqui em São Paulo todos os meus registros escolares até o 4º ano primário constam como Delço.
Então até hoje na minha casa e para meus amigos de infância da Rua9, meu nome ainda é Delço e para meus novos amigos é Delci Lima.
Ter entrevistado o Delci Lima foi uma experiencia única o que também me deu enorme satistfação. 
Obrigado Delci, até a proximo.